segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DITADURA MILITAR NA BAHIA: NOVOS OLHARES, NOVOS OBJETOS, NOVOS HORIZONTES

“O livro é uma contribuição importante para a historiografia baiana, e reafirma a importância da Bahia na história do Brasil.”
O livro “Ditadura Militar na Bahia: Novos olhares, novos objetos, novos horizontes” foi lançado no dia hoje 16/11, no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador (BA). Uma obra relevante, seja para aqueles que enfrentaram a Ditadura Militar, seja para os que estudam este período.
Organizado pelo historiador Grimaldo Carneiro Zachariadhes, coordenador do Núcleo de Estudos sobre o Regime Militar (NERM) e publicado pela EDUFBA, o livro contém treze textos de vários autores abordando o período.
São reconstituídas as atuações da oposição legal (Ala jovem do PMDB) e da revolucionária (AP, PCBR, MR8, VAR – Palmares), da Igreja Católica e da Protestante, do Movimento Estudantil e da Jornada de Cinema da Bahia, e abordados os apoiadores e implantadores do golpe e da repressão.
O lançamento coincidiu com os 30 anos do Congresso Nacional de Anistia realizado em Salvador, entre 15 e 18 de novembro de 1979, que foi relembrado pelo professor Joviniano Neto, autor de capítulo sobre o mesmo e que, à época, o presidiu. Além de Joviniano, outras duas professoras da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Maria Victoria Espiñeira e Elizete da Silva, e vários outros professores entrevistados ou citados estarão presentes junto aos autores.
fonte: Circulando
editado por Amanda Carvalho

domingo, 6 de dezembro de 2009

INIMIGO PÚBLICO Nº 1

“Para quem não viu a parte 1, vale ter em mente que Mesrine foi um criminoso francês real que se tornou inimigo público número 1 na França, na década de 70, ao praticar roubos, seqüestros e assassinatos.”
Por Edilson Saçashima*
O cineasta Jean-François Richet fez dois filmes para contar a história do bandido Jacques Mesrine. No primeiro, ''Inimigo Público Nº 1: Instinto de Morte'', o diretor responde à pergunta ''quem é Mesrine'' ao traçar uma genealogia do criminoso. No segundo, ''Inimigo Público nº 1: parte 2'', que chega às locadoras pela Califórnia Filmes, a questão é outra. Richet discute o que Mesrine faz. Com isso, a segunda parte se prende menos na evolução da personalidade do criminoso e se detém mais na ação. A compreensão de Mesrine só é possível se o espectador tiver visto ambos os filmes na seqüência, pois eles são complementares e interdependentes. Visto isoladamente, ''Inimigo Público nº 1: parte 2'', é um thriller de ação que deixa algumas lacunas sobre quem é Mesrine.
Para quem não viu a parte 1, vale ter em mente que Mesrine foi um criminoso francês real que se tornou inimigo público número 1 na França, na década de 70, ao praticar roubos, seqüestros e assassinatos. Acrescente a isso o fato dele conceder entrevistas à imprensa, o que o tornou uma espécie de celebridade.''Inimigo Público nº 1: parte 2'' começa com um corpo cravejado de balas sendo retirado de um carro. Não irá demorar muito para se perceber que se trata do cadáver de Mesrine, vivido por Vincent Cassel. O que se segue à cena é um longo flashback.
Richet sugere os motivos que levaram Mesrine a sofrer uma morte tão violenta. O que se vê nesta segunda parte são ações cada vez mais ousadas do bandido que vão provocando a ira não só da polícia, mas também da justiça francesa, de setores poderosos da sociedade e de uma esquerda radical que promovia atos terroristas. Com essa história em mãos, o cineasta transforma a segunda metade de vida de Mesrine em um thriller com muita ação. Richet valoriza as seqüências de fugas espetaculares e a tensão de uma perseguição, mas deixa de lado o trabalho sobre a personalidade de Mesrine.
É nessa fase de sua biografia que o criminoso vai se aproximando da ideologia de uma esquerda radical que prega a tomada do poder e a destruição do sistema. No entanto, essa ''tomada de consciência'' do bandido é apenas sugerida no filme. Pode ter sido uma estratégia do diretor para evitar um confronto com posições políticas do espectador.
O Mesrine vivido por Cassel é, antes de mais nada, um amoral. Ele não se apega a qualquer tipo de valor. Ou melhor, ele parece se prender a valores apenas quando lhe interessa. Isso faz com que ele jamais deixe de ser visto como um bandido pelo espectador. Talvez por isso, a família de Mesrine praticamente desapareça nessa segunda parte e faça com que tenhamos a impressão de que o bandido apenas se interesse em si mesmo. De certa forma, Richet desconstrói a complexidade da personalidade de Mesrine, trabalhada no primeiro filme, para transformá-lo apenas em um bandido insinuante, sedutor, carismático, mas ao mesmo tempo egocêntrico e destituído de valores. Com boas seqüências de ação, ''Inimigo Público nº 1: parte 2'' traz o suficiente para fazer um bom thriller, mas não para encenar uma biografia de um personagem real. >>> Leia mais: Primeira Parte de ''Inimigo Público".
Agora aproveite e baixe esses dois filmes “Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte” e “Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte 2”. Na primeira parte, Jacques Mesrine, o último dos lendários gângsters franceses, foi declarado inimigo nº1 durante toda sua vida, encerrada com uma morte espetacular. Thriller e biografia épica, o filme faz um retrato da complexidade da figura de Mesrine, incluindo seus aspectos mais obscuros. A primeira parte da saga (dividida em dois filmes) se passa nos anos 60 em Paris ao início dos anos 70 no Canadá, durante a ascensão criminal de um homem comum, nascido na cidade de Clichy. Gênero: policial/ação/suspense. Origem/ano: FRA/CAN/ITA – 2008. Formato: rmvb. Áudio: francês/espanhol. Legendas: português/BR (embutidas). Duração: 113 min. Servidor: Rapidshare (5 partes):

>>> Parte 1 <<<
>>> Parte 2 <<<
>>> Parte 3 <<<
>>> Parte 4 <<<
>>> Parte 5 <<<

Na segunda parte da biografia do gângster francês Jacques Mesrine, que nos anos de 1970 ficou conhecido por todos como "inimigo público nº 1". Após quase duas décadas de ações criminosas, sempre utilizando-se de façanhas como o disfarce, roubo a bancos e fugas espetaculares da prisão, Mesrine é finalmente alvejado pela polícia francesa em Paris. Duração: 133 min. Servidor: Rapidshare (5 partes):

>>> Parte 1 <<<
>>> Parte 2 <<<
>>>
Parte 3 <<<
>>>
Parte 4 <<<
>>>
Parte 5 <<<

fonte: Edilson Saçashima/UOL
download: Laranja Psicodélica

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A NOIVA DA REVOLUÇÃO

“Um amor "proibido" entre o líder Domingos Martins e a filha de portugueses Maria Teodora da Costa (um "Romeu e Julieta" real e à pernambucana). Bem bacana.”
Por Elenilson Nascimento
Esse é um romance histórico excelente do jornalista Paulo Santos de Oliveira, que descreve o movimento revolucionário de 1817 com total fidelidade aos fatos que é um daqueles frutíferos momentos de interdisciplinariedade em que o direito se encontra com a história e com a política.
Segundo o autor, naquele ano formou-se uma república progressista no Nordeste e os brasileiros tiveram governo próprio, exército, marinha, constituição, bandeira, embaixadores no exterior, e fez-se valer aqui os princípios da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, tudo pela primeira vez. Essa aventura apaixonada é narrada por Domingos Martins, o principal líder revolucionário, e pela filha de portugueses Maria Teodora da Costa, que viveram um amor proibido e fizeram o casamento talvez mais importante já realizado no País.
Comecei – depois da leitura do livro – por delimitar um entendimento acerca do poder dos governos e suas relações com os movimentos revolucionários em geral, tentando demonstrar o seu modo de atuação nos momentos de ruptura institucional que as revoluções como a norte-americana, a francesa e também a pernambucana propiciaram. E através do livro de Paulo Santos sobre a Revolução Pernambucana de 1817, momento tão importante e crucial de nossa história, e pouco lembrado até pelos próprios pernambucanos e professores de História, pude constatar a vasta pesquisa histórica que o autor realizou para escrever o romance com detalhes raramente lembrados, como a efetiva, embora efêmera, implantação de uma República pernambucana, assim como de sua Lei Orgânica, praticamente uma primeira constituição no Brasil.
Publicado pela Comunigraf, e na já na segunda edição, essa obra foi relançada no Recife e lançada em várias cidades do interior pernambucano com apoio da Fundarpe e Governo do Estado de Pernambuco, e com recursos do Funcultura 2007. Paulo Santos é jornalista e recifense da safra de 1952, foi cartunista nos anos 70, publicando na Folha de São Paulo, em revistas da Editora Abril, no Jornal do Brasil, e na revista experimental de quadrinhos "Balão".
Em Pernambuco, trabalhou em vários jornais e foi correspondente das publicações da imprensa alternativa “Movimento” e “Em Tempo”. Na década de 80, o autor coordenou a ECOS - Equipe de Comunicação Sindical, organização de assessoria aos movimentos sindical e popular. Nos anos 90 criou a “Estado da Arte” e a “Plug Multimídia”, empresas de assessoria em comunicação e desenvolvimento de software educativo. Esse livro “A Noiva da Revolução” é o seu primeiro romance publicado.Enfim, o livro trata dos detalhes dos personagens históricos do movimento revolucionário, com destaque para o amor "proibido" entre o líder Domingos Martins e a filha de portugueses Maria Teodora da Costa (um "Romeu e Julieta" real e à pernambucana). Bem bacana.
Achei ótima a ideia do Paulo Santos de romancear a história com substancial fidelidade histórica aos acontecimentos reais. Mas a leitura termina por atingir muito mais curiosos do que uma pesquisa histórica mais científica e objetiva e desperta o interesse das novas e velhas gerações por um acontecimento tão importante da história pernambucana e brasileira. Comprei o livro por acaso, mas não é por acaso que ele está sendo resenhado aqui no COMENDO LIVROS, com a leitura já efetuada.
P.S. O livro enfatiza também o "esquecimento proposital" da referida República de 74 dias, comparando, por exemplo, com um movimento como a Inconfidência Mineira, política e historicamente de muito menor importância. Portanto, recomendo “A Noiva da Revolução” para quem quer ter mais informações sobre a nossa história. (“A NOIVA DA REVOLUÇÃO” de Paulo Santos de Oliveira, roamnce, 407 págs, Comunigraf – 2007) >>> Leia trecho do livro AQUI.
+ Mensagens para o autor: ps@anoivadarevolucao.com.br.
Confira abaixo a entrevista que o Paulo Santos deu para Jô Soares sobre “A Noiva da Revolução” – uma história de amor e a única revolução que realmente houve no Brasil são os panos de fundo desse livro:

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

"Filme, exposição e livro marcam os 145 anos de criação da personagem de Lewis Carrol - uma das mais instigantes e originais da literatura universal.”
Por Fernanda Assef
Uma história inventada para divertir três crianças no final do século XIX se transformou na primeira ficção escrita pelo professor britânico de lógica e matemática Charles Lutwidge Dodson, conhecido como Lewis Carrol (1832- 1898) - e lhe concedeu o título de fundador do surrealismo na Inglaterra vitoriana.
"Alice no País das Maravilhas", a mágica fábula da menina que se perde pelos labirintos da própria imaginação, foi criada especialmente para a garota Alice Liddel, então com 10 anos, e que é a homenageada do título. Essa despretensiosa peregrinação infantil já foi traduzida em 50 idiomas ao longo de quase 150 anos.
Agora ganha novo fôlego com a aguardada versão cinematográfica dirigida por Tim Burton, com a estreante australiana Mia Wasikowska, 20 anos, no papel principal, e o astro Johnny Depp como o chapeleiro maluco. O cineasta, com sua estética fantástica, sombria e mórbida, e com o seu humor nonsense, parece bastante apropriado para contar essa história instigante (que, se diverte, também angustia) de "bichos, sonhos e anarquias" - como a define o próprio Lewis Caroll já no prefácio de seu livro. "As histórias de Alice são como drogas para menores", diz um corajoso Burton.Não bastasse a superprodução prevista para estrear em março do ano que vem, ainda há uma bem cuidada edição do livro que acaba de ser lançada (Editora Cosac Naify), com ilustrações vibrantes e psicodélicas de Luiz Zerbini e posfácio do historiador Nicolau Sevcenko. Uma das versões é especial para colecionadores e imita uma caixa de baralho. O que explica a atualidade da personagem? Na definição de Sevcenko, temos uma pista: "Alice é uma figura rebelde, que enfrenta, cheia de espanto e indignação, as criaturas presunçosas, mal-humoradas e falastronas do Mundo das Maravilhas. Atrás de cada uma delas está um tipo de instituição vitoriana que Lewis satiriza e Alice desacata, para diversão e desforra dos leitores."
Esse espírito de contestação também inspirou um grupo de artistas franceses de vanguarda a criar a mostra "Um Mundo sem Medidas", em cartaz no Museu de Arte Contemporânea, da Universidade de São Paulo. Organizada pela curadora francesa Valérie Marchi, a exposição reúne o trabalho de dez artistas plásticos contemporâneos com esculturas, fotografias, pinturas, desenhos e projeções que exploram as noções de espaço, tempo e dimensões inspirados no universo lúdico e onírico de Alice. A intenção é proporcionar a adultos uma viagem sensorial pelo espaço e pelo tempo através de efeitos multimídia e ilusões de ótica. É a "Alice no País das Maravilhas" do século XXI. (“ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS” de Lewis Carrol, Literatura juvenil, 110 págs. Editora: Loyola)
Mundo surreal - Cena do aguardado filme "Alice no País das Maravilhas", dirigido por TIm Burton e protagonizado pela atriz Mia Wasikowska: ela faz uma Alice menos ingênua e com leve dose de malícia.
“Alice vê um coelho correndo com um relógio na mão e, curiosa, decide segui-lo. Quando entra num buraco, a menina cai, cai, cai... até chegar no País das Maravilhas, onde tudo pode acontecer. O mais estranho e fascinante livro para crianças acabou tornando-se um clássico da Literatura Universal.”
O roteiro não é fiel ao livro original, o que tem , na causado certo disconforto dos fãs de “Alice” que sempre sonharam em uma adaptação fiel. Na verdade, o filme é uma mistura dos dois livros de Lewis Carrol. O primeiro e mais conhecido “Alice no País das Maravilhas” e o segundo, “Alice Através do Espelho”. Tim Burton, através do roteiro de Linda Woolverton, roteirista de “Rei Leão” e “A Bela e a Fera”, misturaram as duas historias e tiraram Alice de sua infância, e a transformaram em uma adolescente de 17 anos, onde Alice prometida para casar com um homem que não ama, acaba caindo na toca do coelho e aí então começa sua aventura, envolvendo-se com personagens existentes nos dois livros.
Até onde se pode observar, esteticamente, o filme é realmente um espetáculo, com o toque mágico e inconfundível de Tim Burton. Realmente, difícil imaginar um outro diretor para dirigir essa fábula. O filme tem sua estreia prevista nos EUA em março de 2010, e até agora suas imagens estavam sendo mantidas a sete chaves. Tim Burton decidiu realizar o filme todo em 3D o que
com toda certeza nos presenteará com show visual, que já é comum em seus filmes sem o uso dessa técnica.
Chega na internet o primeiro trailler do filme “Alice no País das Maravilhas”, novo e mega esperado filme de Tim Burton. Estrelado por Jhonny Deep, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter e apresentando Mia Wasikowska como a protagonista Alice.
fonte: Fernanda Assef/Isto È

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O SÍMBOLO PERDIDO

"O novo livro de Dan Brown promete desvendar os segredos da Maçonaria, despertando a curiosidade de milhares leitores em todo mundo.”
Por Andréia de Oliveira
“O Símbolo Perdido”, novo livro de Dan Brown, lançado nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra em setembro último, chega ao País com a tiragem inicial de 800 mil exemplares. A expectativa é reproduzir no Brasil um novo fenômeno de vendas, já que no primeiro dia de lançamento mundial o título obteve a marca de 1 milhão de exemplares vendidos.
Escritor polêmico e popular, duramente atacado pela crítica literária, Dan Brown, que teve seu livro “O Código Da Vinci”, um campeão em vendagem que já ultrapassou a marca de 70 milhões de exemplares, eleito pelo jornal britânico de “The Times” como o pior título da década, apresenta nessa nova produção uma continuação da história do professor de simbologia Robert Langdon, em mais uma de suas incansáveis missões de busca pelos segredos ocultos da humanidade. Dessa vez, Lagdon promete desvendar os mistérios da fraternidade maçônica, lançando-se na procura por uma pirâmide que guardariam grandes verdades desconhecidas por todos.
Ao contrário da celeuma causada pelo confronto com os milenares dogmas da Igreja Católica em "O Código Da Vinci", "O Símbolo Perdido" não oferece a possibilidade de grandes debates, uma vez que os maçons adotam uma postura libertária e democrática em seus posicionamentos e o próprio Brown já declarou simpatia a organização que esteve presente em importantes acontecimentos da história americana, como a proclamação da independência. Essa intrigante fraternidade, que está estruturada sob a atual configuração desde século XVIII, com a instituição da Franco-Maçonaria é ativa em diversos países do mundo, adotando como princípios o respeito a religião e as tradições e costumes dos locais onde está instalada.
De caráter secreto, a fraternidade que só admite em seus quadros, membros do sexo masculino esta firmada sob o selo do silêncio e do sigiloso. Logo não se espera que Brown, desvende grandes mistérios e se ocupe senão da exposição de conteúdos já publicados e abordados na literatura especializada sobre o assunto. De qualquer forma “O Símbolo Perdido”, cuja capa traz curiosamente a rosa – um dos símbolos da fraternidade dos rosacruzes – e não o esquadro e compasso entrelaçados, signo da Maçonaria, promete trazer informações importantes para os que desconhecem totalmente o assunto.
Certamente uma possível associação entre essas duas fraternidades, que possuem em comum o cunho secreto, tradicional, iniciativo e esotérico. Dessa maneira, o livro gera expectativas de fornecer interessantes elementos introdutórios para os que desejam lançar-se ao estudo das ciências esotéricas, presentes nas sociedades secretas. Para outros leitores, entretanto, “O Símbolo Perdido” será somente uma oportunidade de diversão, dado o movimentado enredo , bem aos moldes da teoria da conspiração, com direito a muita aventura e ação. (“O SÍMBOLO PERDIDO” de Dan Brown, romance, 512 págs, Sextante – 2009)
fonte: Andréia de Oliveira/Voos da Alma

sábado, 28 de novembro de 2009

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER

"Tentei gostar de Kundera e das suas asserções, mas confesso: é uma coisa meio deprê. Descobri que o cara é complicado – muito mais complicado do que eu..."
Por Elenilson Nascimento
Eu já estava entediado lendo esse livro (mesmo com o título paradoxalmente engendrado) de Milan Kundera, quando me deparei com o seguinte: “Existem cada vez mais universidades e cada vez mais estudantes. Para desenrolar seus pergaminhos é preciso que eles encontrem temas de dissertação. Existe um número infinito de temas pois pode-se falar sobre tudo e sobre nada. Pilhas de papel amarelado se acumulam nos arquivos que são mais tristes do que os cemitérios porque neles não vamos nem mesmo no dia de Finados. A cultura desaparece numa multidão de produções, numa avalanche de sinais, na loucura da quantidade. Creia-me: um só livro proibido em seu antigo país significa muito mais do que os milhares de vocábulos cuspidos pelas nossas universidades”. Pronto, isso foi o ponto de partida para eu me jogar (prestando mais atenção) e arriscar galgar tortuosos degraus da escada que me conduziria ao patamar da escrita arrevesada que (imaginava eu) compunha o confuso triângulo amoroso entre o cirurgião mulherengo Tomas (que tinha como hábito urinar na pia), a fotografa romântica Tereza e a pintora modernosa Sabina.
“A Insustentável Leveza do Ser” não é o tipo de livro que fica por muito tempo ao lado da minha cabeceira, mas tenho que admitir que por alguns momentos ele me fez flutuar sensivelmente entre os discursos filosóficos de Confúcio, Pascal ou até mesmo de Nietzsche – além das críticas ao filho de Stalin que, quando preso, morreu eletrocutado numa cerca de alta-tensão por não querer limpar as latrinas que ele próprio sujava – e também a mera narrativa amorosa de romances de quinta categoria de bancas de revistas. Mas, acima de tudo, as ideias defendidas por Kundera contidas nos sete capítulos (muitas vezes sem caracterização alguma) sobre relacionamentos amorosos, me deixaram muito confuso e, por alguma razão, me fez lembrar do filme “A Casa do Lago” (estrelado por Sandra Bullock e Keanu Reeves) com a paciente “arte” da espera.
Porém, o próprio autor explica dentro do livro: “As perguntas realmente sérias são aquelas – e somente aquelas – que uma criança pode formular”. Acho que por mais que Kundera tenha tentado dá um nó em minha cabeça sua mensagem foi transpassada para o meu subconsciente, tanto que acabei usando um pensamento dele no meu novo romance “Os Enforcados” que atualmente ando trabalhando, quando Kundera diz que “um livro aberto era como um sinal de reconhecimento de uma fraternidade universal”.
CHATEAÇÃO ROMÂNTICA – Aplaudido por uns, criticado por outros, o livro se apresenta cheio de interrogações num enredo não-linear e de forte teor psicológico. E, antes de qualquer coisa, apresenta também uma imensa lista de devaneios e sentimentos contraditórios, de dar sem saber o que pedir em troca, de infelicidades indefinidas, de vazios mentais cheios de nada, de uma estranha forma de amar traindo, de viver num limbo constante entre a felicidade desmesurada e o precipício. Uma chateação romântica repleta de frases dúbias: “A idéia de que embaixo Franz é um homem adulto, e em cima um recém-nascido que mama – e, (...) nunca mais lhe dará seu seio como uma cadela à sua cria, hoje é a última vez, irrevogavelmente a última!”.
Mas, ao mesmo tempo, o autor consegue se superar: “Se o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, nossas vidas, sobre esse pano de fundo, podem aparecer e toda a sua esplêndida leveza”. E respirei fundo. Respirei num compasso marcado pelo peso da leveza introspectiva das páginas, cruzei com Karenin – uma cadela batizada com nome inspirado num romance de Tolstói. Imaginei Sabina, a irresistível amante de Tomas, e lembrei da música “Eduardo e Monica” da Legião Urbana. Percebi um autor indigesto e marcado pela mão pesada do comunismo soviético, um país (Checoslováquia) mergulhado numa profunda crise de identidade e, fundamentalmente, um povo fustigado pela – e com raiva da – ditadura imposta.
Fechei o livro várias vezes. Tentei gostar de Kundera e das suas asserções, mas confesso: é uma coisa meio deprê. Descobri que o cara é complicado – muito mais complicado do que eu – que gosta de números, de dividir a sua obra de forma a (também) fazer dela um instrumento de análise para a numerologia; e que tentou escrever de forma simples sobre coisas complexamente bonitas, mas que se perdeu quando as transformou em coisas melancolicamente difíceis: como uma relação amorosa.
VOZ ESQUIZOFRÊNICA – “Os personagens de meu romance são minhas próprias possibilidades que não foram realizadas. É o que me faz amá-los, todos, e ao mesmo tempo a todos temer. Uns e outros atravessaram uma fronteira que eles atravessaram (fronteira além da qual termina o meu eu). E é somente do outro lado que começa o mistério que o romance interroga. O romance não é uma confissão do autor, mas uma exploração do que é a vida humana na armadilha que se tornou o mundo. Mas basta. Voltemos a Tomas.” (Kundera: 1999:252).
Mas o autor, independente das suas mais subjetivas colocações, parece demonstrar um estado de tédio sufocante que me atormentou a cada passagem de páginas. Tudo no livro me pareceu por demais incompleto, principalmente na voz esquizofrênica do narrador – e eu fui, dessa forma, descobrindo com mais cuidado, que não se tratava apenas da voz de uma personagem qualquer, até quando o Kundera acusa a imprensa de ser manipulada pelo Estado.
A partir daí, enredo, foco narrativo, personagens, tempo, espaço, etc. tudo é descrito de maneira eufórica, cambaleante e confusa. Nada é o que parece ser. Até as crises de consciências de Tomas por trair Tereza com Sabina. Ou Sabina por trair Tomas com um tal de Franz – que surgiu na história de lugar algum. E o Franz, como força do destino, acaba traindo Sabina com uma estudante de óculos sem nome. Mas como disse o próprio autor: “Seu drama não era de peso, mas de leveza”.
DIEGESE – Não quero com isso entrar num processo degenerativo da obra, na procura desesperada do ser biográfico, mas sim de uma persona ou sujeito ficcional que insurge no romance como uma voz que se desloca e ao mesmo tempo se prende às personagens e à diegese. Lá pela quinta parte do livro, Tomas perde o seu valioso emprego como cirurgião num hospital por causa de um artigo sobre Édipo de Sófocles publicado num jornaleco qualquer. Não entendi absolutamente nada nessa parte sobre o que o autor quis passar e o mais improvável acontece: de cirurgião renomado, Tomas acaba como limpador de janelas pelas ruas de Praga (com uma longa vara de lavar vidraças) e “consolo de senhoras desavisadas”, as quais ele chama de “mulheres-girafa” ou “mulheres-cegonha”.
Argumentação horrível do senhor Kundera, para quem queria descrever um personagem que ficava excitado só de pensar na possibilidade de uma trepada. Num dos parágrafos encontramos uma sugestiva cena sobre um comportamento muito comum hoje em dia entre casais modernos – o ato de fazer “fio-terra” no parceiro: “Ele tinha a mão colocada sobre seu sexo úmido e escorregou o dedo até o ânus, seu lugar preferido em todas as mulheres. Ela o tinha extremamente protuberante, o que sugeria com nitidez a idéia do longo tubo digestivo que terminava ali com uma ligeira saliência. Apalpou o anel firme e sadio, o mais belo de todos os anéis, chamado esfíncter em linguagem médica, quando, de repente, sentiu os dedos da mulher-girafa colocarem-se no mesmo lugar de seu traseiro. Ela repetia todos os seus gestos com a precisão de um espelho”.
PERSONAGENS ESMAGADOS – Mas se manter um relacionamento é uma coisa muito difícil nos dias de hoje, o autor classifica as pessoas em simples categorias – só faltou colocar códigos de barra. A primeira categoria é descrita como aquela que procura a aprovação do público. Na segunda estão os que não podem viver sem ser o foco de olhares familiares. Na terceira, muito comum, os que têm necessidade de viver sob o olhar do ser amado.
E por fim, a mais rara, os que vivem sob o olhar imaginário, os sonhadores. Então, o autor mata os personagens principais esmagados sob um caminhão. Será que ele quis dizer que todos os sonhadores terminam da mesma forma? Mas, antes de sermos esquecidos, descreve Kundera, seremos transformados em kitsch (*pessoas de vidas simétricas transformadas em devaneios). No último capítulo, mais uma vez fugindo do enredo, Kundera descreve o início da loucura de Nietzsche que em 1889 vê um cocheiro espancando com um chicote o seu cavalo. Nietzsche abraça o pescoço do animal, e sob o olhar do cocheiro, explode em soluços. Kundera confessa ser esse Nietzsche que ele ama. Achei demasiadamente propício a explicação, como também muito bonita as cenas da morte de Karenin. O enredo novamente é centrado em Tomas e Tereza que, já haviam sido mortos pelo autor em algumas páginas anteriores, terminam a noite num bar dançando e filosofando sobre a vida em comum e sobre essa insustentável leveza de ser apenas um ser humano.
P.S. Esse livro acabou virando um filme dirigido por Phillip Kaufman (que também dirigiu “Os Eleitos”), com Daniel Day-Lewis, a maravilhosa Juliette Binoche e Lena Olin no elenco e que ainda recebeu duas indicações ao Oscar. (“A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER” de Milan Kundera, Mestres da Literatura Contemporânea, romance, 315 págs. 1983 - Record)

fonte: E. Nascimento, O Rebate - 27/08/07

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

VERÔNICA DECIDE MORRER

“Verônica tem apenas 24 anos, olhos verdes e um emprego estável na biblioteca da cidade. Ela tem a vida inteira pela frente - pelo menos, é o que dizem os outros. Mas ela não acredita. Ela teme que seus dias se repitam, sempre iguais. Ela precisa fugir do terror da vida sem qualquer possibilidade de mudança. E é por isso que decide morrer - numa linda tarde de novembro de 1997.”
Por Elenilson Nascimento
Sinceramente, não sou amante dos livros do Paulo Coelho com a sua filosofia de vida própria, que se recusa a ceder à negatividade e cinismo dos nossos dias e através das suas histórias mostra um outro lado da vida, pleno de sinais a interpretar e significados especiais, tanto que já publiquei posts na LITERATURA CLANDESTINA sobre esse fato, e também sobre a briga do bruxo-imortal com o Augusto Cury.
Contudo, além do “Alquimista”, “Verônica Decide Morrer” é o outro livro do autor que eu gostei muito. E talvez seja o seu livro mais cruel, mais dramático, mais humano, que conta a história de uma jovem mulher que decide que está na altura de terminar a sua vida apesar de nada nela ser terrivelmente dramático.
Não há nada em especifico que a tenha levado a essa decisão, apenas um simples cansaço da vida que se tornou mais forte do que a vontade de viver – como acontece com todo mundo, pelo menos uma vez na vida. Mas Verônica falha na sua tentativa e sobrevive, vai parar a um hospício (*num asilo de loucos em Lubljana - a capital da Eslovênia, uma das repúblicas resultantes da recente divisão da Iugoslávia) onde é tratada por um médico que se encontra a desenvolver um novo método de combater a depressão e conhece outros pacientes que lhe mostram um novo lado da vida que ela nunca antes tinha visto... O livro está escrito de uma forma crua, realista, sem dogmas nem misticismos, muito diferente de todos os outros livros do Coelho.
“Verônica Decide Morrer” é a história de uma luta interna entre o desejo de viver e o desejo de morrer e aquilo que se aprende quando não se tem nada a perder... ou assim se pensa. Verônica tem apenas 24 anos, olhos verdes e um emprego estável na biblioteca da cidade. Ela tem a vida inteira pela frente - pelo menos, é o que dizem os outros. Mas ela não acredita. Ela teme que seus dias se repitam, sempre iguais. Ela precisa fugir do terror da vida sem qualquer possibilidade de mudança. E é por isso que decide morrer - numa linda tarde de novembro de 1997.
Então, Paulo Coelho começa a questionar o que é a loucura, afinal, e quem serão os loucos - nós ou os outros? E neste asilo-prisão, Verônica vai conhecer pessoas que jamais encontraria em qualquer outro lugar - e mergulhar num mundo em que deverá superar, a cada instante, as fronteiras entre a realidade e a loucura. “Quero entregar-me a um homem, á cidade, à vida e, finalmente, à morte.” (“VERÔNICA DECIDE MORRER” de Paulo Coelho, romance, 224 págs, Ed. Planeta – 1998)
>>> Se você deseja fazer o download gratuito do livro, visite a página oficial de Paulo Coelho clicando
AQUI.
Mas não interessa se você é contra ou a favor das obras de Paulo Coelho, o fato é que este é um dos - se não “o” - autores brasileiros mais conhecidos fora do Brasil. Agora, o “mago”, como é chamado, chega às telonas com a adaptação de um de seus livros, “Verônica Decide Morrer”, para o cinema. No elenco, a bela ex-caçadora de vampiros em “Buffy – A Caça-Vampiros”, a atriz Sarah Michelle, estrela a produção, que conta a história da garota que acorda “perdida” internada numa clínica psiquiátrica após uma tentativa de suicídio e que, ainda por cima, descobre que só lhe restam poucos dias de vida. Este não deveria ser um dilema, já que ela estava mesmo tentando se matar, mas, enfim, o autor é ele e eu nem conheço a obra. Abaixo você vê o trailer de “Verônica Decide Morrer” e aproveite e baixe logo o filme de duração de 103 min, formato AVI, áudio: inglês, legenda em português e tamanho 850 MB:

>>> download <<<
Mas se você quer concorrer a exemplares do livro “Verônica Decide Morrer” de Paulo Coelho e a um par de convites para o filme, responda à pergunta no site G1 e boa sorte! Os 10 (dez) participantes que responderem corretamente as 11 (onze) perguntas sobre o livro “Verônica Decide Morrer”, bem como responderem de maneira mais criativa à pergunta: Por que você é fã de Paulo Coelho? Leva o prêmio.
fonte de download : Só Filmaços
fotos: divulgação