domingo, 27 de maio de 2012

PROMOÇÃO: LIVROS DE ELENILSON COM 25% DESCONTO!


O livro é muito de fundamental para o desenvolvimento das sociedades e para o crescimento intelectual do indivíduo. É ele que permite ao ser humano registrar fatos importantes da sua história e repassar tais fatos às sociedades posteriores; atuando como vetor do conhecimento. É notável, por exemplo, o avanço intelectual que o ser humano teve após a invenção da escrita. Foi a partir dela que ele pôde catalogar e compartilhar as suas descobertas, derrotas, sucessos e fracassos; dando origem ao que conhecemos hoje como literatura.
Sendo assim, aproveitando a comemoração do Dia da Língua Nacional, a editora Clube de Autores liberou todos os livros publicados do autor baiano Elenilson Nascimento que se sobressaem pela qualidade e, até, pela atualidade dos temas que abordam, com o desconto de 25%. São cinco títulos – “Clandestinos” (romance em coautoria com Anna Carvalho), os contos em “Memórias de um Herege Compulsivo”, as crônicas em “Olhos Vermelhos - Crônicas Indesejadas num Lento (e inútil) Mergulho em Direção ao Nada no País dos Bruzundangas e Outros Escritos”, os poemas em “Palavras Faladas Fadadas Palavras” e a antologia de poemas com vários autores e organizada pelo autor em “Poemas de Mil Compassos”.
fonte: Clube de Autores

sábado, 26 de maio de 2012

O QUE É A POESIA?


O QUE É A POESIA? 
Palestra com os autores Elenilson Nascimento,
Rosy Mendonça, Paulo A. Sampaio,
Fernando Guimarães e Betto Leminsky
Show especial com a Banda MPBoa
Local: Teatro Haroldo Valente
Araxá - MG
Dia: 27/05, às 17 horas

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O HEREGE INDICADO NO SITE DO LIVREIRO


Fui pego de surpresa hoje com a indicação do meu livro de contos“Memórias de um Herege Compulsivo” no site do Livreiro, numa seleção especial para o Dia do Orgulho Nerd. Nem sabia que existia esse dia comemorativo, quanto mais que o meu livro entrou no gosto dos nerds. 

fonte: O Livreiro

ELENILSON NASCIMENTO NA BIENAL DO LIVRO DE MINAS GERAIS

“Ótimos autores nacionais estão emergindo com obras fantásticas que estão sendo descoberta por inúmeros leitores desse país, como é o caso do André Vianco, Elenilson Nascimento...”
Por Miguel Velasco*
A terceira edição da “Bienal do Livro de Minas Gerais” começou desde o dia 18 e vai até 27/05, no Expominas, na Região Oeste de Belo Horizonte, sem muita divulgação na mídia. Pessoas de todas as idades têm à disposição uma programação cultural garantida e a expectativa é de receber cerca de 250 mil visitantes.
De acordo com a coordenadora do evento, a mostra deste ano tem oito espaços culturais. Dentre as novidades está “O livro encenado”, “Território jovem”, “Praça Drummond de poesia”, “Bienal em quadrinhos” e “Mundo dos livros”.
A vida e a obra do autor Bartolomeu Campos de Queirós (1944-2012) foi tema de um painel no “Café Literário”, o principal centro de debates do evento. Mediado por Afonso Borges, o encontro teve a participação de Maria Eugênia Dias de Oliveira e Ninfa Parreiras, especialistas no trabalho do escritor mineiro, que faleceu em janeiro. A atriz Nathália Marçalfez uma leitura do livro “Por Parte de Pai”, que está sendo adaptado para teatro pelo diretor carioca André Paes Leme.
Vários autores estão participando da Bienal, e esta é uma oportunidade única para leitores conhecerem os escritores preferidos e ilustradores consagrados com os mais importantes prêmios literários do país, como Nelson Cruz, Marilda Castanha, Ana Maria Machado, Pedro Bandeira, Thalita Rebouças e Paula Pimenta. Como também, ótimos autores nacionais estão emergindo com obras fantásticas que estão sendo descoberta por inúmeros leitores desse país, como é o caso do André Vianco, Elenilson Nascimento, Daniel R. Salgado e Helena Gomes. E não há a menor dúvida de que a nova tendência é de futuramente a bienal de MG ter ainda mais best sellers de autores nacionais no mercado livreiro mundial.
Enquanto isso, aproveitem e aumentem as suas bibliotecas particulares com livros autografados – enquanto a multidão ainda não descobriu esses talentosos escritores –, bem como compartilhar grandes obras ainda desconhecidas por muito leitores.
fonte: Miguel Velasco/Correio de Minas

quinta-feira, 24 de maio de 2012

ILÍADA de Homero


HOMOAFETIVIDADE: característica marcante da cultura que deu ao mundo a filosofia, a ciência, o teatro, a democracia, as olimpíadas. HOMOFOBIA: característica marcante da cultura que deu ao mundo a intolerância, o fanatismo, a perseguição religiosa, as guerras santas.
foto: Sérgio Guerra

quarta-feira, 23 de maio de 2012

GABRIELA É LANÇADA EM SALVADOR COM A PRESENÇA DO ELENCO PRINCIPAL DA NOVELA


“Com toda a publicidade que a novela já está tendo e sem nenhuma maldade, não vejo “cravo e canela” na nova-velha Gabriela.”
O livro “Gabriela Cravo e Canela” de Jorge Amado é um dos livros mais legais da obra do escritor baiano, só fica atrás mesmo de “Capitães da Areia”, além disso, é curiosamente dividido em duas partes, que são em si divididas em mais outras duas. Escrito no ano de 1958, esse romance regionalista, rendeu ao autor cinco importantes prêmios e uma excepcional aceitação pelo público, tendo também grande êxito no estrangeiro, tendo sido traduzido em vinte línguas.
A história começa em 1925, na cidade de Ilhéus. A primeira parte do livro é chamada de “Um Brasileiro das Arábias” que centra nas histórias de dois personagens: Mundinho Falcão e Nacib. O primeiro é um jovem carioca desaforado que emigrou para Ilhéus e lá enriqueceu como exportador e planeja acelerar o desenvolvimento da cidade, melhorar os portos e derrubar Bastos, o inepto governante (*um tipo Jaques Wagner/ACM mais perverso). Já Nacib é um sírio ("turco é a mãe!") dono do bar Vesúvio, que se vê em meio a uma grande tragédia pessoal: a cozinheira foi embora para ir morar com o filho e ele precisa entregar um jantar para 30 pessoas em comemoração a uma inauguração de uma linha automotiva para Itabuna. E aí surge a Gabriela.
 Sônia e Juliana: impossível não fazer comparações.
Em 1975, a Rede Globo produziu uma novela que entrou para a história da teledramaturgia nacional baseada nessa obra de Jorge. E foi através dessa novela  e do filme de 1983, que a protagonista Sônia Braga ficou mundialmente conhecida, porém, recentemente ela descartou qualquer possibilidade de fazer um personagem ou uma participação especial no remake que trás a Juliana Paes no papel principal. Sônia disse que estaria rodando um longa em Los Angeles e que não poderia participar das gravações. No entanto, algumas pessoas acreditam que a participação de Sônia poderia ofuscar a “nova-velha Gabriela” e fomentar ainda mais as comparações entre as duas.
fonte: LC

terça-feira, 22 de maio de 2012

PROMOÇÃO

*Promoção válida só para quem mora em Salvador - BA.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

LUNA CALIENTE


“O livro ‘Luna Caliente’ enfeitiça com prazer e loucura.”
Sexo selvagem , crimes e violência política na ditadura argentina, em romance que foi filmado na Europa e transformado em minissérie pela TV Globo. Se apenas um segundo pode pôr tudo a perder na vida de qualquer pessoa, o que dizer, então, de três noites de tórrido calor e entremeadas de sexo e violência?  Uma violência que não era para acontecer, mas que, por linhas tortas, acaba acontecendo? Esta é a história de Ramiro, um argentino recém-chegado da França, onde acabara de cursar Direito. Tudo começa quando ele vai visitar um velho amigo do pai e fica enfeitiçado pela filha dele, Araceli. Um detalhe: a garota tem apenas 13 anos; ele, 32. Há uma explosão de sexualidade e a partir daí as coisas começam a sair de controle.
Este é o enredo de “Luna Caliente”, do consagrado escritor argentino Mempo Giardinelli. Em dezembro de 1999, a Rede Globo transformou o romance em três capítulos de 53 minutos cada, com direção do premiado Jorge FurtadoPaulo Betti como ator principal. O pano de fundo é a repressão ao comunismo na Argentina, como de resto na América Latina. Algumas vidas estão se desagregando, enquanto a sociedade sofre violência ainda maior – toda a moral havia desmoronado e isso era pior do que ser um assassino.
No livro, Ramiro é “um homem de bem” enveredando por caminhos obscuros, o que torna suas atitudes ainda mais dramáticas. O personagem tenta entender como conseguira arruinar a própria vida em três noites de tórrido calor. Um calor que vem de dentro dele mesmo, vem do Sol, vem da Luna Caliente e tropical, do sexo selvagem. De repente, ele se sente perdido, num caminho sem volta. Atire a primeira pedra quem acha que não pode vir a se meter numa encrenca das grossas. Principalmente quando a sociedade está doente. Muitos homens moram dentro de cada homem e é muito fácil se perder. Orai e vigia, diz a religião. Para não cair em tentação.
O contraponto político torna o drama de Ramiro ainda mais contundente. E ele não sabia que estava preparado para enfrentar o que der e vier, chegando ao ponto de pensar: “Jamais imaginara que um homem, ao tornar-se involuntariamente um assassino, pudesse, de repente, vencer tantas dificuldades e ser tão frio e inescrupuloso”. Um homem no limite é capaz de tudo, diz o escritor, e Ramiro havia chegado ao limite.
E o prazer eclode entre vida e morte, num clima intempestivo: “Seu púbis estava molhado. Abriu as pernas e Ramiro a penetrou com um ronco animal, dizendo seu nome, Araceli, Araceli, meu Deus, vais me enlouquecer. Abraçados, fundidos como cobre e níquel, golpearam-se bestialmente e com carícias brutais”.
Calor intenso de dezembro de 1977, verão sufocante, repressão, explosão de emoções. A Lua manda lá de cima seus raios “abrasadores”, transformando Ramiro num lobisomem de terno e gravata. Individual e coletivo se fundem. A situação fica tão caótica que o leitor sente vontade de interferir e colocar ordem na casa. Mas não se espante o desavisado, porque cada um de nós corre o mesmo perigo – somos muitos dentro de um só e é fácil se perder no calor da vida. (“LUNA CALIENTE”, de Mempo Giardinelli, tradutor Sérgio Faraco, contos argentinos, 136 págs, Geração Editorial – 2010)
 Em 2003, a Globo exibiu “Luna Caliente”, de Jorge Furtado, naquele festival de filmes brasileiros. Na verdade, apesar de ter sido realizado em película (linda fotografia!), já tinha passado na Globo em formato de mini-série. Mas na época que passou, eu não vi. A melhor coisa do filme é mesmo a beleza estupenda da sensualíssima da jovem atriz Ana Paula Tabalipa. Onde foi que acharam essa moça, hein? Ela confere veracidade à personagem por causa da sua beleza hipnotizante.
* Mempo Giardinelli, escritor e jornalista argentino, nasceu em 1947 e é autor de 10 romances, nove livros de contos, sete de ensaio, seis livros infantis e dois de poesia. Suas histórias foram filmadas e publicadas em vários países.
fonte: Geração Editorial

DRUMMOND


quarta-feira, 16 de maio de 2012

SEGREDO SEGREDÍSSIMO


“Odívia Barros, de 33 anos, é autora do livro 'Segredo Segredíssimo'. História de abuso sexual na infância foi vivida pela escritora.”
A autora do inovador e necessário livro-infantil “Segredo Segredíssimo”, Odívia Barros participará nesta semana de uma série de debates e palestras em virtude do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Esse retorno do primeiro livro lançado no Brasil que aborda a prevenção ao abuso sexual infantil é a prova de que ele está desempenhando o seu papel social. “Trata-se de uma literatura infantil que instiga a criança a se proteger da violência sexual. O livro traz uma linguagem acessível e adequada e ao lê-lo, a criança imediatamente conclui sobre como evitar ou sair de uma situação de abuso”, frisou a coordenadora da campanha no município contra pedofilia, Cíntia Carla.
O livro trata de uma história bonita e singela sobre uma realidade feia e complexa: uma história para crianças que as ensina a se protegerem contra abuso sexual infantil, pois o abuso sexual infantil é um fenômeno frequente em nosso país e pode acarretar graves consequências ao desenvolvimento normal de crianças e adolescentes vítimas dessa prática doentia. No Brasil, o assunto ainda não é suficientemente abordado, e as ações de combate e prevenção a esse mal são ainda incipientes e restritas a profissionais e familiares. Entre as crianças e os adolescentes, as ações de prevenção são quase inexistentes. Para preencher essa lacuna é que chega às livrarias “Segredo Segredíssimo”.
Se falar de temas adultos com as crianças já é complicado, falar com elas sobre temas adultos de alta gravidade, como esse, é um desafio até para educadores profissionais experientes. Pois Odivia Barros enfrentou o desafio, e o resultado é uma contribuição importantíssima para o combate ao abuso sexual de crianças. “Segredo Segredíssimo” é uma obra que fala do problema na linguagem delas e usando imagens e situações cotidianas do mundo delas, imagens, por sinal, maravilhosamente retratadas pelas ilustrações belíssimas da consagrada artista carioca Thais Linhares.
O conto protagonizado pela menina Alice, que toma conhecimento do “segredo segredíssimo” de sua amiguinha Adriana, traz elementos muito próximos a uma situação real de abuso sexual, vivenciada por um grande número de crianças e adolescentes, e ensina alguns passos básicos na prevenção do problema, tais como reconhecer uma situação indesejada e contar para pessoas de confiança, ou seja: não guardar o segredo.
Além disso, a mensagem, transmitida pela história, de que a criança (no caso, a pequena Adriana) será apoiada e protegida após contar o segredo a seus familiares, e não recriminada ou punida, é de extrema importância para conscientizar os leitores mirins da necessidade de romper o “muro do silêncio” que ainda envolve o assunto. Sem falar que psicólogos e educadores concordam que histórias com final feliz, em que o bem vence o mal, são importantes para a formação da personalidade da criança, dotando-a de ânimo e capacidade para superar obstáculos e dificuldades no futuro.
Como diz a própria autora:
“Pensei que deveria existir um livro que contasse uma história para que eu pudesse ensinar algo sobre abuso sexual infantil à minha filha. Como esse livro não existia, resolvi escrevê-lo. E assim nasceu ‘Segredo Segredíssimo’, o livro que ensina a criança a se proteger do abuso sexual infantil. O livro é também uma ferramenta útil para educadores abordarem o tema com as crianças.”
Elogiada e recomendada por educadores e psicólogos, “Segredo Segredíssimo” é uma obra que pode ser utilizada pela família e pela escola como material excelente para facilitar a discussão do assunto com as crianças e adolescentes, e, consequentemente, tornar possível a prevenção de futuros casos de abuso sexual infantil. (“SEGREDO SEGREDÍSSIMO”, de Odívia Barros, literatura infanto-juvenil, 32 págs, Geração Editorial – 2011)
fonte: Geração Editorial

terça-feira, 15 de maio de 2012

ELENILSON ENTREVISTA RITA LEE

“O Deus que eu vejo é o universo. Coisa meio arrogante da raça humana de se acharem os filhos de Deus.” (Rita Lee)
Numa disputadíssima entrevista com a maravilhosa Rita Lee, o escritor baiano Elenilson Nascimento pergunta: “Quem ou o que você elegeria para ser a miss Brasil 2012? Ou você acha que todo este papo de miss hoje em dia é uma bobagem e dá graças a Deus por ela ter deixado de ser uma tradição?” E a musa respondeu: “Você provavelmente nem existia e por isso nem pode se lembrar mesmo do que era um concurso de Miss Brasil nos anos 50 e 60. Parecia Copa do Mundo. Hoje, se Hilton Gomes (*tradicional apresentador de concursos de beleza) perguntasse para a Miss Brasil qual seria o sonho dela, ao invés de responder "quero ser professora primária" (uma gracinha!), diria: "Ah! sei lá, sair na capa de uma revista masculina, comprar uma Ferrari, gravar um disco de pagode e casar com um jogador de futebol bem rico e famoso. Ah, e passar a lua de mel na ilha de Caras!"... Deus sabe o que faz.”
Numa entrevista atípica, Rita foi questionada o tempo todo sobre o tema do novo álbum “Reza”, mais especificamente sobre sua fé em Deus, sobre sua música na novela “Avenida Brasil”, da Globo, mas também deu bronca na indústria cultural, falou de seu amor pelos bichos e, de quebra, sobre casamento. E também revelou que já está trabalhando em um novo disco. E enquanto esse disco ainda está no forno, fiquem com um disco (fan made) – “B-Sides” (2012), com raridades, participações e versões remixes.   
fonte: LC

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL


“A crise humana na demarcação de um sentido menos glamouroso de uma revolução incidental.”
Por Anna Carvalho
Boa a leitura quando descerra os elementos mais contundentes da revolução que demarca na Inglaterra as relações de trabalho que sobrevivem até hoje. Importante a demarcação da ação revolucionária diante de um modelo que apresenta desde a força motriz das máquinas que apropriaram homens ao desenho social legitimado na ação de uma revolução áspera no sentido de legitimar as diferenças sociais.
O livro “A Revolução Industrial”, de José Jobson de Andrade Arruda, por meio de capítulos, inserem as discussões num plano intelectual desde Marx até Carlos Alonso, onde o sentido revolucionário não como um golpe diante da expropriação de camponeses, mas como uma apresentação de um ambiente desqualificado na ação entre muito ricos e muito pobres.
A Revolução Industrial legitima as relações desiguais, a captura ou captação dos muito ricos diante dos muito pobres, nessa representação onde homens são substituídos por classes, nada mais confortável do que a representação de classes e o esvaziamento do indivíduo.
Essa é a grande crise ou legado da Revolução Industrial, a crise humana na demarcação de um sentido menos glamouroso de uma revolução incidental desde a sua crise moral até a falta de uma crise ética perdulária na pilhagem dos pobres de um bem maior.
Assistindo a filmes como “Germinal”, vê-se o vocabulário da revolução no sentido de que a fábrica era vista de maneira paternalizada ou que o seu dono fazia parte de uma família, ou seja, perpetrando a relação emocional de uma relação em nada fraterna quando se apresenta o latifúndio.
Vale a pena ver o que a Revolução Industrial deixou de legado atemporal, uma época sem crise moral ou ética na relação entre homens que tenham acesso ou não aos bens de produção, mesmo que tendo um fogo áspero como força motriz: o homem comum ou o operário. (“A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL”, de José Jobson de Andrade Arruda, sociologia, Série Princípios,  93 págs, Editora Ática – 1988)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

NOTÍCIA DA LITERATURA BRASILEIRA DE HOJE, ATUALMENTE, NOS DIAS ATUAIS

“O Brasil tem grandes escritores que sequer são reconhecidos devidamente em sua própria terra. Como pretendemos ter êxito no exterior?”
Por Rafael Rodrigues*
É importantíssimo refletir sobre a literatura, de um modo geral. Ultimamente, com as rápidas transformações no mercado editorial brasileiro – tanto devido às novas tecnologias quanto por causa do crescimento econômico do país, que leva a uma maior comercialização de livros, haja vista a expansão das grandes redes de livrarias em todo o país –, os escritores nacionais estão cada vez mais interessados em não apenas escrever, mas também em entender toda essa movimentação.
E isso é uma grande notícia. É certo que ainda há autores que se isolam em seus próprios enredos literários, sem querer dialogar com leitores e mesmo com seus pares. Mas boa parte dos escritores tem se preocupado em observar todas essas transformações e pensar em como elas vão interferir em seu trabalho – e nos leitores. Não se trata de oportunismo, de tentar adaptar sua escrita aos novos formatos e leitores, mas sim de se colocar como um dos protagonistas de toda essa história, em vez de se esconder em sua caverna. Mas ainda que tais reflexões estejam cada vez mais maduras e sensatas, volta e meia alguém esquece de coisas básicas.
fonte: Rafael Rodrigues/Amálgama/LC

domingo, 13 de maio de 2012

RÉQUIEM - UM ENCONTRO COM FERNANDO PESSOA


“Num escaldante domingo de verão, um escritor francês chega a Lisboa para um encontro com o fantasma de Fernando Pessoa.”
Por Elenilson Nascimento
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso; viver não é preciso." (*) Quero agora aqui no COMENDO LIVROS baixar o espírito desta frase, transformada na forma com o que nós temos que ser hoje: “Viver não é necessário; o que é necessário é criar.”
A vida do poeta português Fernando Pessoa ainda é cheia de mistérios. Pessoa nasceu no ano de 1888, em Lisboa, e morreu na mesma cidade em 1935. Filho da pequena elite burguesa lisboeta, cresceu em Durban (África do Sul) frequentando mais tarde a Universidade de Capetown. O inglês foi a sua segunda língua materna e, como anglicizado, teve depois muitas dificuldades em reencontrar-se na vida portuguesa. Em Lisboa, logo abandonou os estudos, dedicando-se, como autodidata, a vastas leituras de filosofia e poesia. Levou vida modesta, complementando sua renda pela confecção de horóscopos nos quais acreditava (*eu também já fiz isso, mas, ao contrario de Pessoa, nunca acreditei em horóscopos). O poeta também foi defensor de práticas místicas, tendo sido membro da Fraternidade Rosacruz – aproveite e confira também o repórter Pedro Bassan (Globo) dando uma aula sobre Pessoa aqui, e também leia a resenha do livro “Fernando Pessoa — Uma Quase Autobiografia” do escritor pernambucano José Paulo C. Filhoclique aqui.
Toda a obra de Pessoa é altamente intelectualizada e cultuada até hoje. Suas primeiras poesias somente foram publicadas em 1915 na revista "Orfeu", mas muitas delas ficaram durante toda a sua vida inéditas, pois, em vida, seu talento era apenas reconhecido pelos círculos limitados da boêmia literária de Lisboa.
“Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.” – é por causa de versos como esses que Pessoa é crescentemente reconhecido como o maior poeta português desde Camões.
Contudo, nesse filme “Réquiem, Um Encontro com Fernando Pessoa”, de Alain Tanner, um pouco mais da vida do poeta é escancarado. Numa coprodução direto da Suíça, França e Portugal, só agora o filme caiu na internet – mesmo tendo sido lançado no ano de 1998. 
Tudo começa num domingo escaldante em Lisboa. Em pleno sol do meio-dia, onde o francês Paul (interpretado por Francis Frappat) espera por alguém que não aparece. Frustrado, ele começa a vagar pelas ruas quase desertas da capital portuguesa, onde cruza com os mais diferentes tipos. Um chofer de táxi que não conhece a cidade, uma cigana que lhe fala sobre seu futuro, um vigia de cemitério, amigos. Alguns vivos, outros mortos que lhe aparecem sob a forma de fantasmas ou, talvez, de alucinações. É trocando idéias com personagens tão inusitados que Paul vai montando o quebra-cabeças da sua vida. 
Repleto de dúvidas, pensamentos vagos e crises existenciais, “Réquiem...” exige bastante do espectador. Muito longe de ser apenas um entretenimento, o filme propõe enigmas e charadas que apenas os fãs da cultura e da literatura portuguesas (principalmente de Fernando Pessoa) conseguirão decifrar satisfatoriamente. Para tornar tudo ainda mais difícil, a cópia que está sendo exibida no Brasil não traz legendas para os diálogos falados no complicado português de Portugal.
Um filme direcionado especialmente para os amantes do chamado “cinema de arte”, repleto de divagações poéticas e considerações filosóficas. Reparem no papel do vigia do cemitério, na presença ilustre de Raul Solnado, famoso comediante português que chegou a atuar em vários programas humorísticos na televisão brasileira. Numa outra cena, vemos um escritor francês chegando a Lisboa para um encontro com ninguém menos do que o fantasma do próprio Fernando Pessoa. Ao meio-dia, aguarda pelo poeta modernista no porto da cidade até descobrir que o horário certo para se ver almas do outro mundo é à meia-noite em ponto. Enquanto espera, vaga pela cidade deserta encontrando figuras já mortas e personagens misteriosos. Baseado no livro homônimo do italiano Antonio Tabucchi, conhecido no meio literário por ser um dos especialistas mais famosos de Fernando Pessoa, este filme-poema-visual do suíço Alain Tanner passeia sem pedantismo por temas como a morte, a perda, o amor e a amizade, num clima de sonho que só os grandes filmes propiciam.
(*) "Navigare necesse; vivere non est necesse" - latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu.
fontes: Celso Sabadin/Cineclick, Isto É Independente e Laranja Psicodélica

sábado, 12 de maio de 2012

LUCIANO COMENDO LIVROS!


Olha só quem também mandou um sinal de fumaça com uma fotozinha contribuindo com o COMENDO LIVROS. O apresentador do “Caldeirão” (Globo) e marido da Angélica“Vou de Táxi”Luciano Huck. O sempre simpático Luciano sugeriu a biografia “O Livro do Boni”, de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, sobre a transformação da Rede Globo, um canal carioca de pouca expressão, na principal emissora do país que é atribuída, de forma quase consensual, a dois homens de televisão, ambos então nos seus 30 anos de idade – Walter Clark (1936-1997) e o próprio Boni (1935). Segundo Luciano: “Fui à noite de autógrafos do ‘O Livro do Boni’, na Livraria Cultura, em São Paulo. Mas a fila de autógrafos era compatível ao seu merecido sucesso. Como não furo fila, fiquei sem autógrafo. Mas com a boa leitura das férias garantida.”
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sexta-feira, 11 de maio de 2012

ARIANO SUASSUNA FAZ AULA ESPETÁCULO EM EVENTO EM FEIRA DE SANTANA NA BAHIA

“Escritor falou de sua trajetória em evento gratuito em Feira de Santana.”
Por Elenilson Nascimento 
Inacreditável, o escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna ministrou uma “aula-espetáculo” (*não gosto muito desse termo) neste último domingo, 06/05, no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana, a cerca de 110 quilômetros da capital baiana.
Suassuna falou um pouco sobre sua infância e juventude vividas no sertão de Cariri, além de ter feito fortes críticas à atual produção literária no Brasil. Vale lembrar aqui que, no ano de 2003, eu fiquei muito “puto da vida” com o escritor, aliás, com a Fundação Casa de Jorge Amado, que na época havia organizado um concurso com o intuito de publicar nomes não muito conhecidos. Enviei o meu livro “Diálogos Inesperados Sobe Dificuldades Domadas”, em coautoria com Anna Carvalho e, sem explicação, a Fundação do pai de Tieta eliminou todas obras inscritas e utilizou a verba para fazer uma homenagem ao Suassuna. Só consegui publicar esse livro de contos e crônicas dois anos depois, com força, coragem e sem paitrocínio.   
Contudo, não sei quantas vezes já li “O Auto da Compadecida” (*e não gostei do filme), mas sei que foram muitas. Uma das obras mais incríveis e divertidas da literatura brasileira, escrita pelo Suassuna. Agora, os feirenses tiveram a oportunidade de conferir de perto as ideias do pai do João Grilo, Chicó, Mulher do Padeiro, Cangaceiro, Demônio e muitos outros.  
A “aula-espetáculo” fez parte da Celebração das Culturas dos Sertões promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (*até que enfim a inútil paisagem fez algo realmente convincente), onde o escritor, com muito bom humor e em meio a muitos causos em que o sertanejo era sempre o protagonista, proferiu naquela noite mágica a celebração da palavra.
O espaço físico do teatro ficou pequeno diante da multidão ávida por ouvir atentamente umas das principais referências intelectuais na defesa da cultura dos sertões. O escritor falou também sobre futebol, televisão, moda, música e literatura, entre outros assuntos. Ele destacou a importância das obras que têm como pano de fundo a fortaleza do sertanejo. “Este é um momento muito importante para mim, como sertanejo que sou. Não existe arte universal, todas as grandes obras que conheço são obras locais universalizadas pela qualidade e pela quantidade de sonho humano que existe ali. Então quando se dá importância a essa cultura feita pelo povo brasileiro, quando eu ou músicos como Elomar e Fábio Paes dão importância, é porque nós sabemos que essa cultura produz em vários momentos obras da maior importância”.
Na plateia, gente de todas as idades, muito riso e satisfação com a fala do escritor. Irreverente, o escritor contou muitos causos, da infância em Taperoá, na Paraíba, e das muitas histórias como ícone da literatura que foca os sertões. Apaixonado, partiu em defesa do povo brasileiro. “O Nordeste é o coração, osso e nervo do Brasil. E o sertão é o coração, osso e nervo do Nordeste”, disse lembrando ao público a necessidade de dar real importância à sua cultura e valores.
E foi justamente nesse Teatro Municipal de Feira de Santana que também já ficou em cartaz, repetidas vezes, a encenação do “Auto da Compadecida”. E ao recordar aqui algumas cenas, acabei caindo no riso novamente. Essa sim deveria ser uma obra super recomendada para adolescentes, pois é uma isca, uma excelente “armadilha” para aprisioná-los no mundo da literatura, ao invés de somente lerem Harry Potter e vampiros que mais parecem fadinhas.
*Ariano Suassuna (João Pessoa, 16 de junho de 1927) é um dos maiores defensores da cultura nordestina. A sua obra é toda marcada pela riqueza das personagens e das muitas histórias que povoam o universo e o imaginário sertanejos. O bacana foi que teve uma transmissão ao vivo e nós que moramos no cu do mundo ou em outros Estados do Brasil podemos também conferir no site da Irdeb.
fotos: Site Cultura Baiana/Secult

NELSON RODRIGUES POR ELE MESMO


 “Nos cem anos do dramaturgo, filha reúne entrevistas com o anjo pornográfico em novo livro.”
Genial, polêmico, obsceno e machista são alguns dos rótulos muito utilizados quando a tarefa é classificar a personalidade ou a obra de Nelson Rodrigues. Mas raramente se fala no Nelson Rodrigues pai. Por essa razão, a compilação “Nelson Rodrigues Por Ele Mesmo” (Nova Fronteira) organizada por sua filha Sônia Rodrigues ganha contornos mais interessantes.
Há um ano, a escritora e jornalista de 56 anos começou a reler o acervo do site Nelson Rodrigues. Impulsionada pela proximidade do centenário de nascimento de seu pai - em agosto deste ano - Sônia decidiu que lançaria um livro autoral a partir de depoimentos do dramaturgo, jornalista, cronista e (ufa!) escritor.
A revista TPM conversou com Sônia sobre “Nelson Rodrigues Por Ele Mesmo” e outras questões pertinentes à obra do autor.
fonte: TPM

terça-feira, 8 de maio de 2012

MORANGO E CHOCOLATE

“Os personagens libertários de Morango e Chocolate.”
Um é bom, quatro, melhor ainda. É o que se pode dizer de “Morango e Chocolate”, livro de contos do cubano Senel Paz. O conto que dá título à obra fez grande sucesso no cinema, na década de 90. Agora ele vem acompanhado de outros três de mesma qualidade. São histórias marcantes, personagens idem. Um garoto sensível que recebe a visita do pai pela primeira vez, tendo-o visto apenas em fotografia; a primeira noite de um casal com os nervos à flor da pele; o relacionamento proibido entre um revolucionário e um contrarrevolucionário homossexual (“Morango e chocolate”), e, por fim, um conto dentro de outro sobre pessoas que vivem na marginalidade, aplicando golpes para sobreviver.
Senel Paz está à frente do seu tempo e sabe que a vida é curta para esperar um regime paternalista abrir a cabeça totalmente. Por isso, seus personagens dizem o que pensam agora, agem como devem agir agora. E fazem isso sem criar provocações ostensivas, de uma maneira natural.
O conto “Morango e chocolate” ficou famoso na década de 90, quando transformou -se em filme de sucesso mundial, indicado para o Oscar. David, jovem revolucionário, conhece Diego, homossexual assumido, patriota e nacionalista. Surge então o dilema: o dever "patriótico" da denúncia ou a aceitação de uma amizade inesperada, que vai abrindo os olhos dos dois para outras concepções de vida e outros valores humanos, como o direito de ser plural e de manifestar -se livremente. A história, que transcorre numa Havana histórica e bela, é um canto à amizade e à tolerância, humanamente calorosa e cheia de espírito. Nesta e nas outras três histórias deste livro comovente, Senel Paz pega o leitor pelo coração, com seus personagens ora cômicos, ora líricos, daqueles que marcam para sempre as nossas vidas. 
Os quatro contos têm o dom de grudar facilmente em nossas mentes, pois o escritor ora nos caça pela emoção, ora pelo riso, pelas próprias fraquezas humanas. E isso não é simples num mundo de informações altamente deletáveis. Fixar-se no coração ou na mente das pessoas é o sonho de qualquer artista, incluindo os grandes escritores. Depois de ler esta obra, fica fácil lembrar-se de cada uma das histórias e recontá-las aos amigos.
Tudo é fruto de muito inconformismo. A geração de Senel Paz viveu os momentos mais críticos da revolução cubana. Por isso, esses contos traduzem a visão e a voz de uma geração que luta por um país renovado e mais aberto. Ao se referir especificamente à “Morango e Chocolate”, o tradutor Eric Nepomuceno diz que os cubanos, “ao custo de muitos equívocos e muita dor, começam a compreender a necessidade de se defender a dignidade individual, o direito de ser o outro de maneira singular e não apenas plural”.  O próprio papa Bento 16, ao visitar Cuba no dia 27 de março deste 2012, defendeu uma “sociedade renovada, aberta e digna”. E isso sem falar dos que estão presos por defender outro ideal político.
A vida coletiva não pode se sobrepor às peculiaridades humanas. É nesta direção que caminha Senel Paz, abrindo brechas sensitivas para rebater o totalitarismo político. A vida é o grande partido. O Partidão ao qual devemos nos filiar hoje e sempre.
* Senel Paz nasceu em Cuba, em 1950. Cresceu no campo, numa família de camponeses semianalfabetos, mas pôde educar-se graças à revolução. Foi o primeiro membro da família que conseguiu terminar o ensino fundamental. Escritor e roteirista de cinema, é autor de contos, romances e peças teatrais traduzidos para 11 idiomas e publicados em 20 países. É também professor de dramaturgia e roteiro Cinematográfico, dentro e fora de Cuba. Morango e Chocolate, além de filmado, teve 19 versões teatrais. (“MORANGO E CHOCOLATE”, de Senel Paz, contos, 128 págs, tradutor: Eric Nepomuceno – Geração Editorial – 2012)
 
fonte: Geração Editorial

domingo, 6 de maio de 2012

MARILYN COMENDO LIVROS!


“Se eu interpretar uma garota estúpida, e perguntar questões estúpidas, então tenho que seguir isso. O que eu posso fazer para parecer inteligente?”. Essa é uma das várias frases enigmáticas de um dos maiores mitos do cinema do século passado. E por trás do símbolo sexual chamado Marilyn Monroe também havia uma aspirante a escritora. E engana-se que a loira platinada mais celebrada de Hollywood era burra, como muitos biógrafos e ignorantes tentam passar. Leitora voraz, inclusive de autores consagrados como James Joyce, Gustave Flaubert e Ernest Hemingway, a linda Norma Jeane Mortenson (*seu nome verdadeiro) registrava seus pensamentos, cartas, poemas e confissões em diários e folhas soltas. Na época em que ainda era viva, ela mostrou alguns de seus textos apenas para amigos muito íntimos, já que aquilo era uma válvula de escape de seus sentimentos. Após sua morte, em 1962, tudo que escreveu foi deixado para o amigo Lee Strasberg. Quando ele morreu, em 1982, a herança parou nas mãos de Anna Strasberg, sua esposa, que buscou os organizadores para ajudá-la a dar um destino ao material. No ano passado o livro “Fragmentos – Poemas, Anotações Íntimas e Cartas de Marilyn Monroe”, em material peneirado e organizado por Bernard Comment e Stanley Buchtahl, foi lançado pela Editora Tordesilhas.

O HOMEM QUE SABIA A HORA DE MORRER


“Novo trabalho da escritora e diretora teatral Adelice Souza é um romance assumido em sua atmosfera impregnada de juventude.”
Por Marcos Uzel* 
Reconhecida nacionalmente como uma das escritoras mais prestigiadas de sua geração, a baiana Adelice Souza, 38 anos, lançou em abril último, em Salvador, o seu primeiro romance “O Homem que Sabia a Hora de Morrer” (Editora Escrituras). Esta é a quarta publicação individual da autora, que assina os livros de contos “As Camas e os Cães”, de 2001 (Prêmio Copene de Literatura e Prêmio José Alejandro Cabassa/União Brasileira de Escritores - RJ); “Caramujos Zumbis”, de 2003 (Prêmio Banco Capital, obra que, ainda este ano, será reeditada) e “Para uma Certa Nina”, de 2009 (inaugurando o projeto “Cartas Baianas”). Adelice também se destacou como a única representante da Bahia na coletânea nacional de contos 30 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (2005), organizada pelo escritor e jornalista Luiz Ruffato.
Agraciado com a Bolsa de Criação Funarte (2008) e com o edital de Apoio à Edição de Livros de Autores Baianos da Fundação Pedro Calmon (2009), o romance “O Homem que Sabia a Hora de Morrer” vem acompanhado de um comentário entusiasmado do escritor mineiro Affonso Romano de Sant’Anna, que sublinha na orelha da obra: “Gosto desse jeito de contar as coisas que a Adelice tem. Parece que está narrando algo junto ao fogão de lenha numa fazenda do interior, mas ao mesmo tempo está tratando de algo perturbador e fascinante. Imaginem: ela fala de um personagem que, audaciosamente, sabia o dia de sua morte”.
O livro conta a história de uma neta que tenta compreender e desvendar o mistério de um avô que sabe a hora exata em que vai morrer. Isso, para ela, é algo extremamente revelador – e encantador. Durante todo o tempo, a narração da autora busca se aproximar do espírito da jovem neta tão fascinada por esse homem velho dotado de uma sabedoria popular ancestral, o que acaba por caracterizar o conteúdo narrado como uma ode ao antigo, impregnado de simplicidade. “Quem já ouviu falar de uma história dessas nos dias de hoje e que era tão comum há 100 anos? Não é nenhuma coisa mágica, do outro mundo. É, sim, um sentimento de se perceber mais, porque está mais em contato consigo. Talvez seja isso que desperte na neta esse encantamento: entender o mistério desse avô, que nada mais é do que um homem que está em contato íntimo com a sua própria natureza”, enfatiza Adelice.
É um romance assumido em sua atmosfera impregnada de juventude. Durante quase dez anos, a autora ministrou aulas de teatro e dramaturgia para jovens no Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, praticamente no mesmo período em que iniciou a escrita desta obra. Para eles, adaptou e dirigiu a “Odisséia”, de Homero, um dos principais poemas da Grécia Antiga. “Esse era o espírito jovem que estava em mim, na época. Não, este livro não é memorialista, é um brinquedo, como um jogo de cartas, onde todas as lembranças e invenções estão misturadas num mesmo caldeirão”, enfatiza a autora no posfácio da obra. A jovialidade do romance se reverteu em profunda alegria no momento em que Adelice pôs o ponto final: “Quando eu terminei de escrever, saí cantando pela casa. Liguei para os meus pais chorando de felicidade. Era um presente para eles”.
A história nesse romance beira o fabuloso. Ao mesmo tempo em que a neta narra fatos concretos, falando um pouco da vida do avô para que o leitor compreenda o universo em que vive o personagem, ela também fabula porque tem a mente fantasiosa própria de uma pessoa muito jovem. “Essa narrativa da menina encantada com o avô se mistura, no final, com a história de Odisseu e com as tradições baianas que apagam os limites entre a vida e a morte”, enfatiza Affonso Romano de Sant’Anna. A neta não deixa de ser o alterego de Adelice, que está sempre colocando muito de si nas coisas que escreve. Desta vez, ela mistura referências culturais e afetivas de sua cidade natal (Castro Alves, no interior da Bahia) a historias que ouviu do avô e do pai. E dimensiona: “Este livro é isso: uma forma de dançar, de brincar. Foi a coisa que me deu mais alegria de fazer em toda a minha vida”.
Adelice Souza também construiu uma carreira como diretora teatral e, atualmente, cursa Dramaturgia e Yoga no Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia. Em 2005, ela escreveu e dirigiu a peça “Fogo Possesso”, levando ao palco o seu olhar para os personagens Salomé, Prometeu, João Batista e Deus. No repertório constam ainda a direção dos espetáculos “A Balsa dos Mortos” (1998), “De Alma Lavada” (1999), “Na Solidão dos Campos de Algodão” (que lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Braskem de Teatro na categoria melhor diretora, em 2003) e “Jeremias, O profeta da chuva” (2009), de sua autoria. (“O HOMEM QUE SABIA A HORA DE MORRER”, de Adelice Souza, romance, Editora Escrituras – 2012)
+ Contato com a autora: (71) 9941-4901 ou (71) 3329-7410

sábado, 5 de maio de 2012

CLANDESTINOS


“Impressões de uma leitura catártica - Clandestinos de Elenilson Nascimento e Anna Carvalho.”
Por Henrique Júlio Vieira*
Um livro fácil? Com certeza não. Enveredar no universo de Frederico e Fernanda é como colocar um óculos 3D e sentir todos os 'Feelings' possíveis numa atmosfera embebida de punk, rock e drogas sob um país de possibilidades e desvios na década de 80.
A força das imagens construídas faz-nos muitas vezes olhar para nossas veias só para checar como elas estão após essa leitura arrebatadora, que aliás também foi clandestina, já que ler este livro com alguém ao seu lado - num ônibus por exemplo - você fica em estado de alerta para que não saltem das páginas seringas ou que gemidos e gritos sejam ouvidos (mesmo contrariando a realidade linguística que é o papel).
Sexo, drogas, rock são muito presentes no romance (vejo que não se utiliza esta palavra com frequência na publicação do livro “Clandestinos”, talvez pela história deste gênero estar tão próxima do mesmo ethos que sustenta a Casa da Dinda) e são pretextos para a apresentação de uma Brasília corroída e uma juventude que recebe um país fetichiosamente maquiado com as eternas e falaciosas possibilidades. 
Frederico, poeta punk numa década perdida – gestada sob silêncios instituídos e esperanças incitadas –, tal qual um decadentista finissecular (séc. XIX), e o seu anjo torto, Fernanda Feeling, são frutos de um processo de criação em quatro mãos – o que já representa uma clandestinidade para o romance – que não dispensa a  metalinguagem inovadora na relação criador versus criatura e possibilita algo que o tão aclamado ''O Mundo de Sofia'' do Jostein Gaarder não conseguiu fazê-lo.
As digressões intensivas, tais quais um turbilhão, ou um caleidoscópio, geradora de "estranhamentos" – como diriam os formalistas russos – , "obstrui a leitura fluviante, flutual'' (Melo Neto) com suas pedras e palavras de peso que compõe um projeto maior de clandestinidade no processo de criação e ideologização. Com certeza Sofia Amundsen deveria ler  “Clandestinos”. E será esse o mundo de Fernanda? Ou o mundo dos feelings? (“CLANDESTINOS” de Elenilson Nascimento e Anna Carvalho, romance, 427 pags, 1ª edição, Clube de Autores, São Paulo – 2010)

* Henrique Julio Vieira é estudante de Letras da UFBA. Contato: hjvieira@hotmail.com

FÁBIO COMENDO LIVROS!


O simpático Fábio Daflon é casado e trabalha como médico numa empresa do Ministério da Saúde, estudou Pediatria e mora em Vitória (ES). Como bom leitor mandou logo quatro sugestões de livros. O primeiro é “O Compromisso” de Herta Muller. “Em escritos contemporâneos, muitas vezes, as coisas vão sendo enumeradas como se ao percebê-las o personagem tivesse necessidade de elencá-las, porém, para o leitor isso não resulta em prazer de leitura. Diria que Herta Müller faz isso também, mas de permeio à essas coisas ela consegue provocar um interesse maior, seja porque faz um vínculo das coisas com os seres humanos que observa, seja porque exterioriza as coisas a partir de si. É assim que o texto dela ganha uma vida maior”. Segue também: “Corpo, Envelhecimento e Felicidade” de Mirian Goldenberg. “No meio de tanto lixo de autoajuda, como é bom ler um livro sério sobre o envelhecimento e a sua manipulação pela sociedade de consumo. Mirian Goldenberg fez uma seleta de excelentes artigos sobre o tema. O meu interesse pelo tema é etário, mas os profissionais de publicidade deveriam ler e os que consomem o que se faz público também!” A terceira indicação é “Nome de Guerra” de José de Almada Negreiros. “Em seu livro ‘História da Literatura Portuguesa’, Massaud Moisés faz uma única recomendação de compra de um livro para leitura, trata-se de ‘Nome de Guerra’, de José de Almada Negreiros. Encomendei na Livraria Travessa, mandaram um e-mail dizendo que teriam que importar um exemplar, e eu dei OK. Enfim, chegou e estou a ler. É um livro diferente em que o próprio autor adverte: o leitor há de ver já que o autor não é forte em ciência, de modo que tudo que ficar escrito não terá nada de absolutamente científico. Será exatamente nem científico nem falso, ao mesmo tempo”. E a última sugestão: “O Senhor Ventura” de Miguel Torga. “Único romance em que Miguel Torga atua como narrador onisciente. O livro ‘O Senhor Ventura’ foi escrito na juventude do escritor, que em 1985 reviu o textos e fez poucas alterações, até porque não conseguiria escreve-lo de novo.”
+ Conheça mais o Fábio: visite seu Facebook. Contato: fabio.daflon@uol.com.br e/ou fabio.s.daflon@gmail.com.