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Esta frase acima é atribuída a Jesus Cristo. Mas não adianta ir procurá-la na Bíblia. Ela não está em nenhum lugar dos Evangelhos – os únicos relatos "oficiais" da vida do "cara"que a Igreja considera autênticos. E porque será? Muitas coisas da curta passagem de Cristo por essas bandas ainda permanecem obscuras e a Igreja tem toda a culpa nisso, pois usar a religião como fator determinante para a alienação, para a manipulação e para a escravidão intelectual é uma questão primordial para a sobrevivência das Igrejas. E nisso as evangélicas estão sabendo muito bem gerenciar o rebanho.
A citação acima faz parte de um outro evangelho – o de Tomé. Também não perca seu tempo procurando por esse livro no Novo Testamento. Não há por lá nenhum evangelho com o nome do mais cético dos apóstolos, aquele que queria "ver para crer". Acontece que o texto de Tomé existe sim. E é um documento muito antigo - segundo alguns pesquisadores, tão antigo quanto os que estão na manipulada Bíblia.
O "Evangelho de Tomé", assim como outras dezenas - ou centenas - de textos semelhantes, foi escrito por alguns dos primeiros cristãos, entre os séculos 1 e 3 da nossa era (*Super Interessante, dez/2004). Ele foi cultuado por muito tempo. Até que, em 325, sob o comando do imperador romano Constantino, a Igreja se reuniu na cidade de Nicéia, na atual Turquia, e definiu que, entre os inúmeros relatos sobre a vinda de Cristo que existiam, só quatro eram "inspirados" pelo filho de Deus - os "evangelhos canônicos". Muito conveniente isso, não é mesmo? Os outros foram chamados de "apócrifos" (*de legitimidade duvidosa). Estes foram proibidos, seus seguidores passaram a ser considerados hereges e muitos foram excomungados, perseguidos, presos. E tudo isso, em nome de Deus. 
CRISTO, “O CARA” – No livro “Análise da Inteligência de Cristo”, do Augusto Cury (*que já foi resenhado aqui na LC, com “Nunca Desista de Seus Sonhos” – CLIQUE AQUI), uma outra faceta de Cristo é descrita: “Crer ou não em suas palavras é uma questão pessoal, íntima, pois seus pensamentos fogem à investigação cientifica, extrapolam a esfera dos fenômenos observáveis”, comentou o autor.
Cury é um avesso a entrevistas. Todavia, o seu sucesso como escritor, talvez se dê justamente por isso: mistério! Já neste livro, o autor demonstra como Cristo – que brilhou na sua inteligência, embora desde a infância tivesse sido castigado pela miséria – foi muito astucioso, mesmo tendo vivido em meio há ladrões, traidores, e várias pessoas que não estariam, segundo a Igreja, nos planos de Deus. Cristo era tão suficiente e sofisticado que, mesmo sabendo sobre seu destino, nunca culpou nem se revoltou com o fato. Admirava e ensinava a todos sobre o amor entre os humanos. Viveu sendo caçado e, porém, nunca se cansou de ajudar o homem a compreender seus erros e procurar desfazê-los.
E segundo Cury, para escrever esse livro, teve que “pesquisar até aquilo que estava nas estrelinhas desses textos antigos”. Cristo, para mim, é uma das figuras mais emblemáticas da história da humanidade e ao mesmo tempo uma das mais apaixonantes. Acho a sua história tão superficial, escabrosa e tão devorada pelos urubus das religiões que, muitas vezes, já cheguei ao ponto de duvidar de muitas coisas – como até hoje duvido.
E agora, 2009 anos depois do seu nascimento, sua história continua fazendo um tremendo sucesso. Inspiram filmes milionários (como “Matrix” e a carnificina da “A Paixão de Cristo”) e best sellers (como “O Código Da Vinci” de Dan Brown, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” de Saramago – CLIQUE AQUI , “Os Dez Mandamentos Para o Século XXI” de Fernando Savater – CLIQUE AQUI – e muitos outros). Sua história foi adotada por diversas seitas cristãs (ou não), gerou religiões, deu origem há teorias conspiratórias e é cada vez mais lida por fiéis do mundo todo, inclusive cristãos tradicionais (e não cristãos), que não vêm contradição entre alguns desses textos e a religião que eles seguem.
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fonte: E. Nascimento/Lit. Clandestina, 18/05/09
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