quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O HOMEM POR TRÁS DE BABY BLUES

“Biografia revela que o grande astro de Hollywood era infiel, bissexual e compartilhou amantes com o seu filho primogênito.
Na galeria das grandes estrelas de Hollywood, o blue eyes Paul Newman sempre esteve entre os mais discretos. Protagonista de filmes clássicos como "Butch Cassidy" e "Golpe de Mestre", Newman possuía rara beleza e morreu em setembro do ano passado, aos 83 anos, após um casamento de cinco décadas com a atriz Joanne Woodward. Sempre cultivou a fama de homem fiel e heterossexual - e tornou-se um chiste machista a sua declaração dada em entrevista nos anos 1980 quando foi indagado sobre eventuais casos extraconjugais: "Por que iria atrás de hambúrgueres se tenho filé mignon em casa?" Conta-se que Joanne o repreendeu pela resposta e a atriz Joan Crawford teria feito graça: "É uma boa tirada, mas será verdade? Pelo que sei, Paul janta fora de casa frequentemente e sempre escolhe filés mignons suculentos."
O veneno destilado por Joan só fez reforçar a imagem de machão do ator e não chegou a ofuscar a sua fama de marido bem comportado. Eis que agora uma biografia não autorizada traz à tona uma faceta totalmente nova de Paul Newman. O livro "The Man Behind the Baby Blues" (em tradução livre "O Homem por Trás de Baby Blues") vasculhou o passado do astro e revela uma trajetória conturbada e de incontáveis romances - que incluem homens e mulheres.
O autor da obra é o escritor americano Darwin Porter, 75 anos, que já esquadrinhou a vida de outras celebridades como Katherine Hepburn, Humphrey Bogart, Marlon Brando e Howard Hughes, dando ainda mais gás a esse filão editorial que se define por expor a sexualidade dos grandes mitos do show biz e que parece cada vez mais faminto de revelações incendiárias.
O livro relata a vida e, num segundo plano, a obra de Paul Newman a partir do início dos anos 1950, quando o ator abandona a Marinha (onde teve a sua primeira experiência homossexual com o também ator Robert Stack) e entra para a tradicional escola Actor's Studio, que formou uma geração de artistas geniais, entre eles Marlon Brando e James Dean. Brando, que já era famoso, e Newman, que acabara de chegar, logo estabeleceram um forte vínculo artístico (o novato passou a ser chamado de "novo Marlon Brando"). Além disso, os dois viveram um rumoroso romance que começou nos bastidores de um teatro da Broadway: Newman foi assistir a um espetáculo protagonizado por Brando e, ao final, dirigiu-se ao camarim para cumprimentá-lo - ficaram juntos pela primeira vez ali mesmo.O autor reproduz no livro o trecho de uma entrevista concedida a ele por Marlon Brando, em 2003: "Paul nunca me enganou. Ele teve tantos casos quanto qualquer um de nós e era tão bissexual quanto eu. Mas, enquanto eu era sempre pego de calças arriadas, ele dava um jeito de fazer tudo na surdina."
James Dean foi também um dos parceiros de Newman, por quem ele teria se apaixonado de fato e de quem ficou "órfão" após sua trágica morte em 1955. Deu-se então o início de sua fase mais sedutora. Newman se envolveu com a atriz Marilyn Monroe ao mesmo tempo que se apaixonou perdidamente pelo novato Steve McQueen (de "Crown - O Magnífico"), com quem desenvolveu uma relação de amor e ódio que perdurou até a morte de McQueen, em 1980. Judy Garland, Joan Crawford e Audrey Hepburn foram casos rápidos, além de Montgomery Clift, Yul Brinner e Rock Hudson, todos deslumbrados com as oportunidades proporcionadas pelo crescimento acelerado da indústria do cinema americano.
A biografia ainda faz alusão a um final de semana romântico do ator com o dramaturgo americano Tennessee Williams, em Key West, na Flórida. Williams é o autor de "Gata em Teto de Zinco Quente", peça ganhadora do Prêmio Pulitzer em 1958 e que foi protagonizada por Newman no cinema.
O repertório de indiscrições sobre a sua vida sexual cria inumeráveis conexões no universo de Hollywood e chega aos dias de hoje com a afirmação de que Newman ainda viveu um amor platônico por Tom Cruise durante as filmagens de "A Cor do Dinheiro", em 1986. Enganase, no entanto, quem achar que a biografia se resume a um indiscriminado armário de quinquilharias românticas.
Ela vai ainda mais longe e aborda um tema sensível na trajetória de Paul Newman: a morte de seu filho primogênito, aos 28 anos, vítima de uma overdose acidental. Scott Newman nascera de seu casamento com a atriz Jackie Witte (com quem vivera entre 1948 e 1958) e era gay. Ele teria se envolvido com ex-amantes do pai, entre eles Sal Mineo (de "Juventude Transviada"), que fora rejeitado por Newman e, de acordo com o livro, teria telefonado para o ator uma noite apenas para dizer que estava na cama com seu filho.
A família Newman negou cada informação apresentada na biografia e o escritor Darwin Porter declarou que não acredita que a sua obra reserve alguma novidade à viúva Joanne. "Ela conhecia a fundo a vida de seu marido." Segundo ele, Joanne estava casada com o escritor, e também bissexual, Gore Vidal, quando conheceu Paul Newman. E os três chegaram a compartilhar a mesma casa (e cama) por algum tempo.
Ao desmontar o mito de marido exemplar, homem convencional e sem máculas, o autor faz emergir uma personalidade mais complexa e humanizada do que aquela eternizada pelo mito ao longo de meio século. Defensor dos direitos dos gays, Newman dizia que as pessoas são livres para fazer o que quiserem em sua intimidade e que isso é irrelevante diante do que elas exteriorizam em sua vida pública. Isso vale para os segredos agora revelados de Baby Blues. (“O Homem por Trás de Baby Blues” de Darwin Porter, biografia – 2009)
+ Leia aqui um texto de Elenilson sobre a morte de Paul Newman.
fonte: Natália Rangel/Isto È
fotos: Leandro Pagliaro, AFP Photo; EFE/EPA/Handout

0 comentários: