Por Elenilson Nascimento
Ainda lembro-me de ter visto esse filme no cinema no ano de 1993 e da observação que eu fiz com relação à maneira como as pessoas ficaram incomodadas com a história na tela. O livro é tão ou mais devastador quanto o filme. “Filadélfia” conta a história de Andrew Becket (*interpretado na tela competentemente por Tom Hanks), um promissor jovem advogado que tem sua carreira interrompida quando a firma para a qual trabalha descobre que ele tem Aids e o demite.
A partir daí o autor Christopher Davis começa a contar o calvário de Andrew a procurar por um advogado que aceite sua causa, até que encontra Joe Miller (Denzel Washington está maravilhoso) que resolve aceitar o caso, justamente por sentir na pele todos os dias o preconceito que Andrew estava passando. Os personagens então têm de enfrentar seus medos enquanto o caso se desenrola nos tribunais e a doença de Andy vai tirando suas forças a cada dia.
Se no livro encontramos detalhes dos percalços de Andrew, no filme podemos comprovar o talento de Tom Hanks - perfeito como vítima doente (*a cena em que Andrew escuta ópera com Miller merece destaque: emocionante!), tão perfeito que recebeu um merecidíssimo “Oscar de Melhor Ator”, até então o primeiro de sua carreira.
O livro retratava exatamente esse drama: a questão da homossexualidade que até hoje é tratada como discaração, o preconceito da sociedade em relação aos portadores do vírus, mas também da luta e do sofrimento e solidão vividos por quem está contaminado, já que eles foram relegados e renegados pela sociedade.
Mostra também as agruras, consequências e os mitos que envolvem a discriminação de quem não possui o vírus, mas que poderá pegá-lo até mesmo em uma transfusão de sangue.
Já no filme, das cenas do filme, na minha humilde opinião, as mais importantes são quando Andrew leva o advogado a uma festa gay e o faz ver um outro mundo que ele não conhecia, o de que há pessoas que amam e se relacionam com seus semelhantes, mas de uma forma que a sociedade não conhece e não respeita, com carinho, amor, respeito ao parceiro, enquanto aos olhos da sociedade, a promiscuidade seja a tônica.
O outro momento acontece no tribunal quando Andrew se defende diante do dono da empresa, e mostra a ele, que a Aids é contagiosa sim, mas que nenhum ser humano está invulnerável a ela, e há diversas formas de ser contaminado pela doença. É um filme para assistir e refletir sobre os nossos mitos, e os nossos sentimentos em relação à pessoas que vivem e compartilham do amor dos seus semelhantes. (“FILADÉLFIA” de Christopher Devis, romance, 204 págs, 4ª edição, Editora Record – 1993)
Tom Hanks - perfeito como vítima doente, tão perfeito que recebeu um merecidíssimo “Oscar de Melhor Ator”, até então o primeiro de sua carreira.
Uma curiosidade: no final dos créditos do filme aparece uma mensagem: “A Luta Continua”, nos lembrando que apesar de todos os esforços feitos para acabar com a discriminação à Aids (que na época era ainda mais discriminada que nos dias de hoje), devemos ainda nos esforçar, no nosso dia a dia, para combater não só a doença, mas principalmente a discriminação que a acompanha. Diretor: Jonathan Demme, áudio: inglês, legendas: português, duração: 125 min, qualidade: DVDRip, tamanho: 392 MB e servidor: Megaupload (2 partes).
fonte download: Estranha/Laranja Psicodélica
fotos: divulgação
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