quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

FILADÉLFIA

“Para ler, assistir e refletir sobre os nossos mitos e os nossos sentimentos em relação à pessoas que vivem e compartilham do amor dos seus semelhantes.”
Por Elenilson Nascimento
Ainda lembro-me de ter visto esse filme no cinema no ano de 1993 e da observação que eu fiz com relação à maneira como as pessoas ficaram incomodadas com a história na tela. O livro é tão ou mais devastador quanto o filme. “Filadélfia” conta a história de Andrew Becket (*interpretado na tela competentemente por Tom Hanks), um promissor jovem advogado que tem sua carreira interrompida quando a firma para a qual trabalha descobre que ele tem Aids e o demite.
A partir daí o autor Christopher Davis começa a contar o calvário de Andrew a procurar por um advogado que aceite sua causa, até que encontra Joe Miller (Denzel Washington está maravilhoso) que resolve aceitar o caso, justamente por sentir na pele todos os dias o preconceito que Andrew estava passando. Os personagens então têm de enfrentar seus medos enquanto o caso se desenrola nos tribunais e a doença de Andy vai tirando suas forças a cada dia.
Se no livro encontramos detalhes dos percalços de Andrew, no filme podemos comprovar o talento de Tom Hanks - perfeito como vítima doente (*a cena em que Andrew escuta ópera com Miller merece destaque: emocionante!), tão perfeito que recebeu um merecidíssimo “Oscar de Melhor Ator”, até então o primeiro de sua carreira.
O livro retratava exatamente esse drama: a questão da homossexualidade que até hoje é tratada como discaração, o preconceito da sociedade em relação aos portadores do vírus, mas também da luta e do sofrimento e solidão vividos por quem está contaminado, já que eles foram relegados e renegados pela sociedade.
Mostra também as agruras, consequências e os mitos que envolvem a discriminação de quem não possui o vírus, mas que poderá pegá-lo até mesmo em uma transfusão de sangue.
Já no filme, das cenas do filme, na minha humilde opinião, as mais importantes são quando Andrew leva o advogado a uma festa gay e o faz ver um outro mundo que ele não conhecia, o de que há pessoas que amam e se relacionam com seus semelhantes, mas de uma forma que a sociedade não conhece e não respeita, com carinho, amor, respeito ao parceiro, enquanto aos olhos da sociedade, a promiscuidade seja a tônica.
O outro momento acontece no tribunal quando Andrew se defende diante do dono da empresa, e mostra a ele, que a Aids é contagiosa sim, mas que nenhum ser humano está invulnerável a ela, e há diversas formas de ser contaminado pela doença. É um filme para assistir e refletir sobre os nossos mitos, e os nossos sentimentos em relação à pessoas que vivem e compartilham do amor dos seus semelhantes. (“FILADÉLFIA” de Christopher Devis, romance, 204 págs, 4ª edição, Editora Record – 1993)
Tom Hanks - perfeito como vítima doente, tão perfeito que recebeu um merecidíssimo “Oscar de Melhor Ator”, até então o primeiro de sua carreira.
>>> Um presentaço agora para vocês: baixe aqui também esse filme! Denzel Washington e Tom Hanks merecem aplausos. A cena em que Andrew vai a primeira vez ao escritório de Miller ficou maravilhosa. Um advogado – muito difícil de encontras hoje em dia – que tenta lutar pela justiça para seu cliente, ao mesmo tempo que tem de lutar contra seus próprios preconceitos, e ele o faz de forma excelente. Antonio Banderas também aparece no filme, mas faz uma mísera ponta como namorado de Andrew, claramente um dos primeiros papéis dele em Hollywood após largar o cinema espanhol e as obras de Pedro Almodóvar.
Uma curiosidade: no final dos créditos do filme aparece uma mensagem: “A Luta Continua”, nos lembrando que apesar de todos os esforços feitos para acabar com a discriminação à Aids (que na época era ainda mais discriminada que nos dias de hoje), devemos ainda nos esforçar, no nosso dia a dia, para combater não só a doença, mas principalmente a discriminação que a acompanha. Diretor: Jonathan Demme, áudio: inglês, legendas: português, duração: 125 min, qualidade: DVDRip, tamanho: 392 MB e servidor: Megaupload (2 partes).

>>> Parte 1 <<<
>>> Parte 2 <<<
fonte download: Estranha/Laranja Psicodélica
fotos: divulgação

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SEXO, DROGAS E MUITA POESIA

Agora, esse confronto entre a razão, a paixão e a vida desregrada desses dois poetas maravilhosos e transformadores de seu tempo são retratados no espetáculo "Pólvora e Poesia", dirigido pelo baiano Fernando Guerreiro, com texto do aclamado Alcides Nogueira - vencedor do Prêmio Shell 2001.
Esse amor tempestuoso, marcante e intenso de uma juventude (*apenas cinco anos) regada a absinto, loucuras variadas, escândalos e um rumoroso caso de amor entre Verlaine e Rimbaud é o foco de “Pólvora e Poesia” que, além de tudo isso, retrata um período da vida de dois dos maiores poetas de todos os tempos, no qual, conectados pela arte e pela carne, se atraem e se afastam.
>>> clique aqui e confira.
fonte: LC, 13/12/10

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

TARSILA – SUA OBRA E SEU TEMPO

“Realizada a partir de depoimentos originais e consulta a centenas de fontes no Brasil e no exterior, a obra traz também, nesta nova edição revista pela autora, mais de 300 ilustrações, muitas inéditas.”
Por Elenilson Nascimento
Quando se fala da Tarsila do Amaral logo nos vem a cabeça as aulas de literatura no colégio. A sua vida já virou bons filmes que fizeram sucesso no cinema e na televisão. Seus quadros já fizeram a volta ao mundo contando sua história e são usados como exemplo de pintura nas escolas para a educação das pessoas em relação às artes.
Em meados da década de 1960, quando Tarsila confiava seus desenhos, cartas e documentos para uma jovem jornalista, não imaginava que, nas quatro décadas seguintes, ela continuaria na sua pauta. Décadas depois, aquela jovem jornalista, Aracy Amaral, iria se dedicar, como professora e historiadora de arte da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, a contar a sua vida, estudando e documentando seus desenhos, quadros, crônicas e sonhos.
A pesquisa de Aracy, que já resultou em cinco livros e diversas exposições, e também do “Catálogo Raisonné”, uma publicação que conta com aproximadamente 1.200 imagens, além de reproduções de outros catálogos, livros, cartas e fotos. Agora, a Aracy Amaral organizou um dos mais importantes ensaios críticos sobre Tarsila - "Tarsila, sua obra e seu tempo" - e um clássico dos estudos sobre o Modernismo, refazendo o percurso biográfico da artista, destacando a década de 1920 e os movimentos Pau-brasil e Antropofagia.
Realizada a partir de depoimentos originais e consulta a centenas de fontes no Brasil e no exterior, a obra traz também, nesta nova edição revista pela autora, mais de 300 ilustrações, muitas inéditas. E, o mais interessante, os brasileiros vão conhecer Tarsila no conjunto de sua obra, com uma amplitude muito maior. “Ela sempre foi muito preocupada com os seus papéis e documentos”, contou Aracy. “Daí a nossa responsabilidade em catalogar as imagens com muito cuidado”. (“TARSILA – SUA OBRA E SEU TEMPO” de Aracy Amaral, 528 páginas, 300 ilustrações, Co-edição EDUSP, 3ª edição revista e ampliada – 2010)

fotos: divulgação

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

TOME POESIA

imagem: divulgação

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

CATATAU

“Acredito que este livro ainda não foi descoberto, não há um interesse real dos crí­ticos sobre ele que, na minha opinião, além de clássico, nasceu póstumo, muito póstumo.”
Por Elenilson Nascimento
O livro “Catatau” (*lançado em 1975) do maravilhoso Paulo Leminskiclique aqui e leia uma entrevista que eu fiz com o Lucky Leminski, filho do poeta – foi saudado em ensaios como um novo “Finnegans Wake”. E com justa razão. Esse livro pode ser considerado umas das obras-primas da literatura brasileira do século 20. Escrito durante quase uma década, esse “romance-ideia”, como o denominou o autor, é um monólogo onírico de Descartes em visita a Pernambuco no período holandês. Diante do “absurdo da natureza dos trópicos” e dos “costumes dos indígenas”, o filósofo vê sua razão naufragar: “Duvido se existo, quem sou eu se esse tamanduá existe?”, pergunta. Uma loucura!
Além de tradutor de Joyce, Leminski, a exemplo do irlandês, fez uso irrestrito de citações míticas e eruditas, exigindo do leitor um repertório literário bem acima da média. O tempo só fez reforçar a importância desse livro, considerado um divisor de águas na literatura brasileira, uma “aventura textual” em que a lógica cartesiana vai para o brejo no pântano tropical. Agora, “Catatau” ganha nova edição da editora Iluminuras, após anos fora de catálogo. E não uma edição qualquer: seu apêndice traz parte da fortuna crítica de “Catatau” com excertos de ensaios assinados por Haroldo de Campos, Flora Sussekind, Leo Gilson Ribeiro e Antonio Risério.
O livro trás ainda num texto lúdico, parodiando as narrativas dos viajantes e empregando recursos do Concretismo e do Tropicalismo, Leminski cria uma fábula inovadora e radical, firmando-se como um dos grandes explicadores do Brasil. “Catatau” é, pois, um texto de vanguarda, no qual o autor emprega recursos como neologismos, aforismos, filosofemas e trocadilhos, parodiando clássicos portugueses, constituindo-se em verdadeiro tesouro de invenção prosódica da língua, que une o falar culto ao popular. Esse livro de Leminski pertence à mesma linhagem das mais importantes renovações no terreno da linguística, como as produções literárias de Pound, Joyce, Nelson Rodrigues, Beckett e Guimarães Rosa. Portanto, "Catatau", apesar de muitos ainda julgarem hermético, difí­cil, sem nexo... acredito que este livro ainda não foi descoberto, não há um interesse real dos crí­ticos sobre ele que, na minha opinião, além de clássico, nasceu póstumo, muito póstumo. (“Catatau” de Paulo Leminski, editora Iluminuras – 1975)fotos: divulgação