sábado, 10 de setembro de 2011

MADALENA - O ÚLTIMO TABU DO CRISTIANISMO

Maria de Magdala não só era casada com Jesus - com quem tinha naturalmente relações carnais - como foi o apóstolo que ele mais amou e a quem mais confiou a propagação da doutrina católica. Mas tudo isso a Igreja até hoje esconde!”

Por Elenilson Nascimento

É inadmissível que em pleno século XXI às pessoas continuem na total ignorância e absurdamente alienadas pelas igrejas. O câncer do mundo está na religião, nessas teorias ultrapassadas e cheias de ficção impostas pelos seus líderes fundamentalistas com o único objetivo de encarcerar na escuridão da passividade o maior número de fiéis.

A própria Bíblia mostra, sem sombra de dúvida, que Jesus Cristo foi um judeu revolucionário, anarquista, de ideias modernas, tolerante e que não teve qualquer intenção de fundar nenhuma nova religião e nem tão pouco nenhuma igreja, que não foi morto aos 33 anos (*pois viveu pelo menos até aos 40) e que teve, no mínimo, sete irmãos. Mas alguns dos principais dogmas católicos estão em contradição com o fato de os apóstolos não terem qualquer convicção quanto à personalidade divina do Cristo, quanto à virgindade de Maria e quanto à ressurreição. Assim como existiu, da parte de Jesus, uma proibição explícita, quanto à formação de um clero profissional.

Durante séculos, umas das maiores heresias protestantes é o sofismo esquizofrênico de perguntar onde está escrito, dentro da Bíblia, que a Igreja Católica Apostólica Romana é a representação de Cristo na Terra. A primeira heresia é perguntar quem foi mesmo que escreveu a Bíblia, até por que a própria Bíblia diz não conter tudo escrito.

E um dos muitos tabus envolvendo as mentiras da Igreja está relacionado com a figura da Maria Madalena que se tornou objeto de especulação. E antes de você ser enganado por fábulas fascinantes, deve se entender que muitos dizem coisas infundadas sobre o gnosticismo, filosofia que exalta a figura de Madalena, como, por exemplo, que nega a perfeição do Criador, dizendo que Jeová, e não o homem, causou a imperfeição e o sofrimento no mundo. Contudo, se você não for mais um bitolado ignorante frequentador de missas e cultos ultrapassados e decorador de frases feitas vai perceber que o gnosticismo não nega em parte alguma a doutrina fundamental de salvação pelo sangue de Jesus, mas diz que essa suposta salvação não vem só pela fé, e sim pelo CONHECIMENTO.

Madalena, de todas as personagens bíblicas, talvez tenha sido aquela personagem mais deturpada e reduzida à vilã, prostituta e mercenária, encoberta por inverdades divulgadas ao longo dos séculos pela própria Igreja, pelos textos bíblicos deturpados e por errôneas interpretações. E paralelamente há essas inverdades, uma outra história tem sido contada de modo sublinear até pela Arte (*através de pintores, escritores e poetas) ao longo de dois mil anos de história cristã e, também, pelos textos apócrifos.

Recentemente, o livro e o filme “O Código Da Vinci”, de Dan Brown, percorreram o mundo inteiro, sendo lido e visto por milhões de pessoas. E em meio a uma história de suspense, o autor insere algumas “verdades”, que ao longo do tempo, estavam sendo propositadamente ocultadas. Brown nos chama a observar o quadro da Santa Ceia, de Leonardo da Vinci, onde transparece que uma das imagens dos apóstolos apresenta traços femininos, estando com a mesma cor da roupa de Jesus e interligada a Ele por um grande M formado pela postura física dos dois na pintura, em face da cor vermelha. Segundo a interpretação do autor de “O Código Da Vinci”, os dois símbolos, a letra M e a cor vermelha, indicariam ser Maria Madalena a personagem ao lado de Jesus.

Imagem da Santa Ceia pintada por Leonardo Da Vinci, no ano aproximado de 1495, na Igreja Santa Maria Delle Grazie, em Milão, onde aparece nitidamente o formatado de um M, seguindo-se os contornos da cor vermelha nas roupas de Jesus e de Madalena. Imagem extraída da revista “Super Interessante”, out/2004.

Mas quem foi realmente a Madalena, uma prostituta arrependida? Uma deusa da antiguidade? A esposa de Jesus, com quem se casou e teve filhos, no sul da França - como querem os teóricos da conspiração que afirma ter sido Jesus não o filho de Deus, mas um homem comum, que sobreviveu ao martírio da cruz? Seria realmente Madalena o pivô do maior segredo da Igreja, guardado há tantos séculos pelos sábios do Prioridade de Sião - entre eles o próprio Leonardo da Vinci, que a teria retratado ao lado de Jesus, na santa Ceia?

Em Madalena - O Último Tabu do Cristianismo” do excelente escritor Juan Arias, renomado jornalista e especialista em temas bíblicos, apresenta essa polêmica e apaixonante história de amor e mentiras. “Essa referida verdade se foi perdendo pelo caminho, através do tempo e à medida que a Igreja de Roma se foi masculinizando”. (p.45)

Segundo o autor, os dois - o pregador revolucionário e essa inquietante figura feminina - viveram juntos uma ousada aventura espiritual e uma relação de amor carnal. O livro constitui uma análise aprofundada e escrupulosa da Bíblia, permitindo-nos conhecer não só o que de fato está nas Sagradas Escrituras, mas, sobretudo, o modo como o seu conteúdo foi desfigurado pela Igreja, no decurso dos séculos. O livro trata-se de uma obra para crentes e ateus, que nos apresenta uma nova visão da verdadeira mensagem cristã e que proporciona respostas a muitas questões geralmente deixadas no escuro.

Madalena aparece durante os séculos como amiga, amante, esposa, confidente, prostituta, mística gnóstica, mas ela é uma das figuras mais misteriosas dos Evangelhos canônicos, mas ainda é uma mulher que até hoje atemoriza a Igreja. É o que afirma o espanhol Juan Arias que ainda confirma que, desde as origens do cristianismo, se teceu em torno de Madalena uma complexa rede de lendas e mentiras. “Esses escritos, considerados como a primeira tentativa de análise teológica e filosófica do cristianismo primitivo, permaneceram até hoje somente em mãos dos especialistas, inacessíveis ao grande público”. (p.55)

O que aparece estrategicamente na Bíblica com o intuído de desqualificá-la: que sete demônios saíram dela; que foi uma das mulheres que ajudaram Jesus e seus discípulos (*inclusive financeiramente) enquanto estes pregavam o evangelho; que ela e muitas outras mulheres seguiram Jesus desde a Galiléia quando Ele foi para Jerusalém no final do seu ministério; que quando Jesus foi levado para ser crucificado, ela e outras seguiram de longe; que quando Jesus foi sepultado, ela foi uma das mulheres que observou o lugar onde o corpo foi posto; que ela e outras foram ao túmulo no primeiro dia da semana para embalsamar o corpo de Jesus; que; que foi a primeira a receber a notícia da ressurreição quando um anjo falou às mulheres perto do túmulo aberto e que ela foi uma das primeiras a ver Jesus depois da ressurreição.

Mas, o que poucos observaram, durante esses séculos, é que a própria Bíblia (manipulada) não diz nada sobre o fato de Madalena ser a “pecadora” citada em Lucas 7:36-50; não diz que era a mesma Maria, irmã de Marta e Lázaro; não sugere nenhum tipo de relacionamento especial ou íntimo entre Jesus e Maria, pois sempre a coloca junto e passivamente com outras mulheres, e que depois da ascensão de Jesus, a Bíblia nunca mais menciona o nome de Maria Madalena. Mas por quê?

Por que a Igreja primitiva converteu a fiel e dedicada companheira de Jesus numa prostituta? Por que ofuscar e ainda desonrar a sua imagem? E por que Cristo não escolheu um homem para anunciar a Boa Nova? Qual o motivo de não ter sido Pedro o mensageiro, e sim Madalena? Existem várias evidências de que sua condição de “esposa” de Jesus foi escondida, assim como o papel fundamental que teve nos primeiros anos da nova religião. Mas de uma coisa até mesmo os demasiadamente crentes têm que admitir: o livro é muito bem documentado nesta obra arrebatadora! E Juan Arias nos apresenta em cores vivas uma Madalena histórica e bíblica, e nos oferece respostas a estas e outras perguntas que cercam o último tabu do cristianismo.

Se o sucesso do “O Código Da Vinci” trouxe a público um dos mais velados segredos do cristianismo, o real papel de Madalena: de prostituta arrependida passou a ser a companheira e esposa de Jesus. Essa condição que por séculos foi velada hoje está exposta em vários outros livros, revistas, filmes, etc. por autores que não mais precisam temer a fogueira da Inquisição ou ser excomungados pela hipócrita Igreja Católica.

Neste livro, o autor revela ainda vários aspectos ignorados pela maioria dos cristãos, ou seja, da condição de Madalena na formação do cristianismo, e os motivos políticos que deram origem a sua imagem deturpada. “Os escritos gnósticos criaram polêmica e preocupação na Igreja oficial porque neles Maria madalena não é a prostituta arrependida que apresentam os evangelistas canônicos, mas sim a companheira, a esposa e a mulher mais amada de Jesus”. (p. 82)

Segundo o autor um dos primeiro motivos que fomentou a imagem distorcida de Madalena foi uma disputa entre os seguidores de Pedro e Paulo e o grupo daquela que seria a companheira preferida de Jesus. O grupo que Madalena liderava teria sido derrotado pelo grupo de Pedro, este teria sido o primeiro apóstolo a difundir a imagem de Madalena como uma mulher pecadora e arrependida, sendo seguido por Paulo. “Deve-se lembrar aqui que alguns teólogos como o franciscano brasileiro Leonardo Boff, foram condenados pela Igreja de Roma quando se manifestaram neste sentido.” (p. 84)

Outro aspecto revelado pelo autor é que os ensinamentos do Cristo não foram divulgados por Pedro, mas sim, por Madalena, pois teria sido a ela que Jesus teria transmitido diretamente seus ensinamentos e a principal destinatária de suas revelações, gerando ciúmes entre os seus discípulos. Quanto a hipótese de Jesus ter casado com Madalena, segundo o autor, essa condição está clara nos evangelhos apócrifos, ocultados por séculos.

Outro ponto revelador é sobre o quarto evangelho que a Igreja atribuiu a João Evangelista, mas que provavelmente teria sido escrito por Madalena ou inspirado nela. Sobre o Santo Graal, o autor revela algumas das hipóteses: um cálice com o sangue de Jesus que teria sido levado à França por Madalena e José de Arimatéia; um simbolismo para representar a união mística entre Jesus e Madalena. E ainda a hipótese levantada no “Código Da Vinci” que considera o Santo Graal como uma derivação da expressão sangue real, estaria aí um significado da herança dinástica atribuída ao merovíngeos franceses, entre outros. Neste caso o sangue real refere-se aos herdeiros de Jesus e Madalena. É esta teoria que identifica o Santo Graal com Madalena; a busca não seria do cálice e sim os restos mortais de Madalena, ou seja, o seu túmulo.

Nem prostituta arrependida, nem mulher vulgar e endemoninhada. As lendas criadas desde as origens do cristianismo em torno de Madalena são absurdamente falsas, afirma o escritor. Neste livro surpreendente, que já consta das principais listas de best-sellers na Espanha, Juan Arias nos dá respostas a perguntas como: por que então desde o início dos tempos a Igreja Católica tratou de obscurecer a imagem de Madalena? Por que a fiel e dedicada companheira de Jesus foi convertida numa vulgar prostituta? “Um dia a Igreja terá de pedir perdão publicamente – como o fez com Galileu Galilei - por ter corrompido a figura de Maria Madalena e tê-la utilizado como símbolo do pecado sexual e do perdão através do arrependimento”. (p. 121)

No momento em que se discute o sacerdócio feminino e o papel da mulher na Igreja católica, o livro de Juan Arias ganha fundamental relevância.. A julgar pelos textos analisados no livro, as discípulas de Jesus compreenderam muito melhor do que os homens a mensagem do profeta de Nazaré, que havia vindo para servir, e não para ser servido, e que nunca poderia conceber uma Igreja na qual as mulheres não tivessem os mesmos direitos, funções e ofícios dos homens. “No entanto, a misteriosa mulher de Magdala ainda permanece envolta em brumas e mistérios. Talvez tenha sido só amor” (p. 204) Contudo, isso ainda significa dizer que sua personalidade e o seu corpo foram e ainda é objeto de culto não só da Igreja, mas até no mundo pop (*vide Lady Gaga). Em suma, um livro surpreendente. (MADALENA - O ÚLTIMO TABÚ DO CRISTIANISMO – O segredo mais bem guardado da Igreja: as relações entre Jesus e Maria Madalena”, de Juan Arias, biografia, 204, editora Objetiva – 2005)

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