Por Elenilson Nascimento
“Amou daquela vez como s
e fosse a última/Beijou sua mulher como se fosse a última/E cada filho seu como se fosse o único/E atravessou a rua com seu passo tímido/Subiu a construção como se fosse máquina/Ergueu no patamar quatro paredes sólidas/Tijolo com tijolo num desenho mágico/Seus olhos embotados de cimento e lágrima/Sentou pra descansar como se fosse sábado/Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe/Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago/Dançou e gargalhou como se ouvisse música/E tropeçou no céu como se fosse um bêbado/E flutuou no ar como se fosse um pássaro/E se acabou no chão feito um pacote flácido/Agonizou no meio do passeio público/Morreu na contramão atrapalhando o tráfego...”. Eu adoro essa letra de “Construção” do Chico. Aliás, estou redescobrindo o Chico, porque eu não gostava dele. E hoje me sinto exatamente como esse pobre de “Construção”. Mas deixemos pra lá, isso é uma outra história.
Lendo mais uma “recente” pesquisa do Datafolha (*essas pesquisas são suspeitíssimas) sobre a sexualidade dos brasileiros, onde diz que 80% de homens e mulheres declararam considerar a fidelidade muito importante no relacionamento. Será mesmo? Pode até ser que pensem assim, mas a prática é muito diferente. E apesar de todos os ensinamentos que recebemos desde espermatozóides - família, escola, amigos, religião – alguém está sempre lá se metendo na vida sexual dos outros e nos estimulando a investir nossa energia sexual, nossas rolas (no caso das meninas, suas xoxotinhas) em uma única pessoa. E até em relações extraconjugais que, hoje em dia, são muito comuns. Ainda segundo a pesquisa, uma porcentagem significativa de homens e mulheres casados compartilha seu tempo e seu prazer com outros parceiros.
Lembrei logo da psicanalista e sexóloga carioca Regina Navarro Lins, a qual acompanho sempre os comentários pertinentes da Rádio Metrópole FM, de Salvador – BA, que trabalha com terapia individual e de casais. Essa ex-professora (*viu só, outra que largou a educação!) de Psicologia da PUC-Rio, que já apresentou um programa diário sobre sexo numa outra rádio, foi colunista do Jornal do Brasil e realizou mais de mil palestras e workshops sobre amor, casamento e sexo em todo país.
A sexóloga no programa “De Frente Com Gabi”, em maio último, falando sobre o sucesso do livro “A Cama na Varanda”. A terapeuta ainda falou sobre as mudanças nos hábitos sexuais dos brasileiros, preconceito, saúde sexual e outros assuntos.
Seu livro mais famoso “A Cama na Varanda” discute de modo revolucionário a história sexual humana, da valorização da mulher na Antiguidade ao surgimento do patriarcalismo e às novas normas sociais. A doutora Regina propõe um cenário de total mudança nos relacionamentos, provocada pela liberdade sexual, e também pelo advento da internet e suas ferramentas como serviços de mensagens instantâneas, pelos celulares e pelas diversas novas formas de se relacionar. Esse livro também é um dos maiores fenômenos editoriais desde os anos 90.
Num dos capítulos a autora explica como e por que os homens assumiram o poder na relação e como eles, ao longo dos milênios, desde o período neolítico, há mais de 10.000 anos atrás, submeteram as mulheres ao poder do falo, transformando as sociedades matriarcais e igualitárias do passado nas sociedades patriarcais e opressoras de hoje. Mais do que isso, como as mulheres estão dando a volta por cima, reorganizando as relações de forma mais igualitária, sem relações de superioridade de um membro sobre o outro em uma relação amorosa.
E agora em nova edição revisitada e ampliada, a autora se debruça sobre as relações amorosas, sexuais e de poder entre os sexos, misturando um forte trabalho de levantamento histórico com sua experiência como psicanalista. Ela também traça um perfil da formação das sociedades, observadas especialmente pelo ângulo sexual, a autora mostra como de “deusas da Fertilidade” e “Mães da terra e dos homens”, as mulheres foram transformadas em moeda de troca, em um receptáculo para a semente do homem, em uma peça de decoração a ser guardada e vigiada, para garantir a linhagem do seu homem e senhor.
Um competente levantamento histórico cheios de exemplos do dia a dia que se tornou referência nos estudos sobre o comportamento humano sexual e afetivo. E, a partir dessas questões, novas formas de amar passam a ser consideradas, fazendo com que o amor romântico, cultivado há séculos pela sociedade, comece, aos poucos, a sair de cena. Agora é com você leitor, leia e pesquise sobre o que essa maravilhosa estudiosa do tema diz sobre as motivações que levam a esses comportamentos, as mais diversas justificativas apontam sempre para problemas emocionais, insatisfação ou infelicidade na vida a dois. Mas, segundo a autora, as relações extraconjugais ocorrem principalmente porque variar é bom. O que sairá dessa revolução sexual? (“A CAMA NA VARANDA”, de Regina Navarro Lins, sexualidade, 434 págs, Editora Best Seller – 2006)
Confira abaixo a doutora Regina falando sobre mais dois novos livros: "A Cama na Rede" e "Se eu Fosse você...", no Programa do Jô (*com o Jô querendo sempre ser mais inteligente do que os seus entrevistados). Relações extraconjugais, falta de desejo sexual no casamento, ciúme, fantasias e homossexualidade são temas tratados por ela.
+ Ou baixe essa nova edição de “A Cama na Varanda”, revista e ampliada, a autora traz à tona uma das principais dúvidas que permeiam os relacionamentos atuais: estabilidade ou liberdade? A partir dessa questão, novas formas de amar passam a ser consideradas, fazendo com que o amor romântico, cultivado há séculos pela sociedade, comece, aos poucos, a sair de cena.
A Cama na Varanda – Regina Navarro Lins
Tamanho: 2.9mb | Formato: pdf
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fotos: divulgação
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