Por Elenilson Nascimento
Querido leitor amigo, infelizmente você não verá o fim do período dos bons livros nas estantes das livrarias. Para evitar o eufemismo dos fracos: você não viverá até o fim da literatura por causa de programas imbecis na TV. Consultei todos os luminares, o nodo lunar, as casas dos planetas, os ângulos, todas as configurações astrais e a resposta é a mesma: AINDA EXISE VIDA INTELIGENTE NAS ESTANTES.Seja qual for seu sexo, raça, religião ou posição social, não há saída. Conformado ou revoltado tome as providências triviais: faça seu testamento, reconcilie-se com os inimigos (sobretudo da mídia), pague suas dívidas e leia tudo que chegar nas suas mãos. Acreditando que no mundo literário tudo é possível, tudo lhe será mais leve. Ele será melhor ou pior, mas será diferente. Não pense em coisas negativas – tais como a permanência da natureza, independentemente de seu desaparecimento.
Console-se com o fato de que a televisão continuará perpetuamente alienando a população. E talvez você – ou seu fantasma – apareça nela episodicamente. Além disso, só morrerão os que lêem horóscopos. Porém, ele diz que não escreve literatura de auto-ajuda, mas o seu livro é muito mais que isso. Com mais de um milhão de livros vendidos sobre temas como crescimento pessoal, inteligência e qualidade de vida, o psiquiatra Augusto Cury (autor do também sucesso “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes”) debruça-se aqui sobre nossa capacidade de sonhar e o quanto ela é fundamental na realização de nossos projetos de vida.
Os sonhos são como uma bússola, indicando os caminhos que seguiremos e as metas que queremos alcançar. São eles que nos impulsionam, nos fortalecem e nos permitem crescer. Se os sonhos são pequenos, nossas possibilidades de sucesso também serão limitadas. Desistir dos sonhos é abrir mão da felicidade porque quem não persegue seus objetivos está condenado a fracassar 100% das vezes.
Analisando a trajetória vitoriosa de grandes sonhadores como Jesus Cristo, Abraão Lincoln e Martin Luther King, Cury nos faz repensar nossa vida e nos inspira a não deixar nossos sonhos morrerem. “Entendeu que o homo sapiens pode se psicoadaptar inconscientemente a todas as mazelas sociais, como guerras, o terrorismo, a violência, a discriminação, e ter um conformismo doentio. O anormal pode se tornar normal. O “eu” pode ficar impotente, frágil, destrutivo e autodestrutivo”, disse Cury num dos capítulos do livro em que fala sobre o engessado pelo sistema. E completa: “Entendeu que os que não aprendem a duvidar e criticar serão sempre servos. A aceitação passiva das respostas pode abortar o desenvolvimento da inteligência”.
E é justamente por isso que esse livro é muito mais do que interessante e vai permanecer por muitos anos na minha lista especial dos melhores. Muito melhor do que toda a baboseira que o imortal Paulo Coelho e o Lair Ribeiro andam escrevendo. (“NUNCA DESISTA DE SEUS SONHOS” de Augusto Cury, 160 págs. Rio de Janeiro, 9ª edição, 2004 – Sextante)
fonte: E. Nascimento, O Rebate, 17/10/07
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