O livro “Os Irmãos Karamazov”, de Fiódor Dostoievski, fez a cabeça do professor de literatura Danilo Pereira. “Sou professor de literatura, digo literatura porque meu foco foi sempre essa arte. Por isso fui alvo de muita crítica nas reuniões de professores. Sempre era pego com perguntas tais como: para que falar de Julio Cortázar, Jorge Luis Borges e Kafka em suas aulas de literatura? Bom, se os adolescentes de hoje gostam de ler obras de amor entre vampiros, lobisomens, bruxos mirins, porque não conquistá-los com literatura fantástica de verdade? Essa minha resposta provocava uma viajem na mente dos outros professores que logo era abafada com um "ah! tudo bem". E não ficava apenas na falta de compreensão, quando chamava os professores de história, filosofia, e de artes para construirmos projetos de interdisciplinaridade, sempre era pego com respostas assim : "Pra que complicar?"; "Seus métodos freirianos não funcionam mais". Situações assim me fizeram dar um tempo na educação, pois, acredito em uma educação além do capital. Escolas que preparem os seus alunos para o mundo, não apenas para a inserção dos mesmos no mercado de trabalho, e nas grandes universidades. Existe um poema de Cecília Meireles que diz: “A vida só é possível reinventada". Acredito fielmente em tais palavras, pois acho que a educação só é possível reinventada a todo instante. A educação é sempre o hoje, o agora como no sugere um grande mestre: "O mundo não é, o mundo está sendo." (Paulo Freire)”
+ Contato do Danilo: almeyda_dan@hotmail.com
1 comentários:
O que falar desta obra. Uma obra total! Eu já havia lido Dostoiévski na minha adolescência, obras como “crime e castigo” e “memórias do subsolo” fizeram minha mente adorar mais a literatura. Quando entrei na Faculdade de Letras, nas aulas de lingüística fiquei meio confuso com um teórico chamado Mikhail Bakhtin e sua proposta de polifonia das vozes. Soube que para tal afirmação ele estudou a obra de Dostoiévski. Essa linguagem como processo de interação mediado pelo o diálogo não ficou muito bem esclarecido nas aulas. Foi quando entrei em processo de isolamento para ler “Os irmãos Karamázov”. Só então a teoria da voz do outro na minha voz fez sentido. Provei na prática. Pois depois de ter lido essa obra monumental da literatura percebi que as vezes portava-me meio apaixonado e orgulhoso. Na verdade era a voz de Dmitri, um dos personagens central. Minhas convicções religiosas que eu achava “pura” semelhavam se a de “Aliócha” um personagem místico da obra. E esse romance me provocou de tal forma que quando me pus a pensar na vida, as mesmas indagações e perturbações que atormentavam “Ivan” personagem intelectual do romance, faziam parte do meu cotidiano.
Uma mistura de vozes, convicções existenciais e correntes de pensamentos fazem parte desta obra. Não é por acaso que “Os irmãos Karamázov” foi o livro de cabeceira de Freud. E ninguém mais do que Nietzsche o considerava como o maior romance já escrito. E o que mais me fascinou foi que depois de lido, o romance ficou guardado na minha mente por um único sentido: “Eu sou um irmão Karamázov; todos nós somos irmãos Karamázov.
Danilo Pereira
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